<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-3424033135505399754</id><updated>2011-07-07T22:17:33.434-07:00</updated><title type='text'>Sua arte não vale nada.</title><subtitle type='html'>"Desorientados, mas vivos.
O tédio não nos pegará essa noite."</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://poesiaescritaemgasolina.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3424033135505399754/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poesiaescritaemgasolina.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Chileno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02966781458294485252</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_MueYRaJPnRE/Sc3_D3hKMKI/AAAAAAAAAAM/TOmelzq-2lk/S220/Recreacion_artistica_hombre_Neandertal.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>17</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3424033135505399754.post-2259428060312181629</id><published>2010-05-20T05:10:00.001-07:00</published><updated>2010-06-05T23:35:35.128-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=NMn_1rQ3sms"&gt;http://www.youtube.com/watch?v=NMn_1rQ3sms&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eduardo Marinho&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3424033135505399754-2259428060312181629?l=poesiaescritaemgasolina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='enclosure' type='' href='http://www.youtube.com/watch?v=92KHWIu_AWU&amp;aia=true' length='0'/><link rel='replies' type='application/atom+xml' 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transpõe as nuvens, e te imagino então parado sozinho entre a faixa interminável de areia, o vento que bate em teu rosto, as mãos com os dedos roxos de frio enfiadas até o fundo dos bolos, o vento e novamente o vento que bate em teu rosto, esse mesmo que não me olha agora, raramente, teu olho bate em mim e logo se desvia, como se em minhas pupilas houvesse uma faca, uma pedra, um gume, teu rosto mais nu que sempre, à beira-mar, com esse vento a bater e a revolver teus cabelos e pensamentos, e eu sem saber que me envolve agora quando teu olho outra vez escorrega para fora e longe do meu, entre tua testa larga de onde às vezes costuma afastar os cabelos com ambas as mãos, numa mistura de preguiça e sensualidade expostas, e quando teu olho se afasta assim, não sei para onde, talvez para esse mesmo lugar onde te encontravas ontem, à beira do mar aberto, onde não penetro, como não te penetro agora, mas é quando a pedra ou faca no fundo do meu olho afasta o teu é que te olho detalhado, e nunca saberás quanto e como já conheço cada milímetro da tua pele, esses vincos cada vez mais fundos circundando as sobrancelhas que se erguem súbitas para depois diluírem-se em pêlos cada vez mais ralos, até a região onde os raspas quase sempre mal, e conheço também esses tocos de pêlos duros e secretos, escondidos sob teu lábio inferior, levemente partido ao meio, e tão dissimulado te espio que nunca me percebes assim, te devassando como se através de cada fiapo, de cada poro, pudesse chegar a esse mais de dentro que me escondes sutil, obstinado, através de histórias como essa, do mar, das velhas tias, das iniciações, dos exílios, das prisões, das cicatrizes, e em tudo que me contas pensando, suponho, que é teu jeito de dar-se a mim, percebo farpado que te escondes ainda mais, como se te contando a mim negasses quase deliberado a possibilidade de te descobrir atrás e além de tudo que me dizes, é por isso que me escondo dessas tuas histórias que me enredam cada vez mais no que não és tu, mas o que foste, tento fugir para longe e a cada noite, como uma criança temendo pecados, punições de anjos vingadores com espadas flamejantes, prometo a mim mesmo nunca mais ouvir, nunca mais ter a ti tão mentirosamente próximo, e escapo brusco para que percebas que mal suporto a tua presença, veneno, veneno, às vezes digo coisas ácidas e de alguma forma quero te fazer compreender que não é assim, que tenho um medo cada vez maior do que vou sentindo em todos esses meses, e não se soluciona, mas volto e volto sempre, então me invades outra vez com o mesmo jogo e embora supondo conhecer as regras, me deixo tomar por inteiro por tuas estranhas liturgias, a compactuar com teus medos que não decifro, a aceitá-los como um cão faminto aceita um osso descarnado, essas migalhas que me vais jogando entre as palavras e os pratos vazios, torno sempre a voltar, talvez penalizado do teu olho que não se debruça sobre nenhum outro assim como sobre o meu, temendo a faca, a pedra, o gume das tuas histórias longas, das tuas memórias tristes, cheias de corredores mofados, donzelas velha trancadas em seus quartos, balcões abertos sobre ruazinhas onde moças solteiras secam o cabelo, exibindo os peitos, tornarei sempre a voltar porque preciso desse osso, dos farelos que me têm alimentado ao longo deste tempo e choro sempre quando os dias terminam porque sei que não nos procuraremos pelas noites, quando o meu perigo aumenta e sem me conter te assaltaria feito um vampiro faminto para te sangrar enquanto meus dentes penetrando nas veias de tua garganta arrancassem do fundo essa vida que me negas delicadamente, de cada vez que me procuras e me tomas, contudo me enveneno mais quando não vens e ninguém então me sabe parado feito velho num resto de sol de agosto, escurecido pela tua ausência, e me anoiteço ainda mais e me entrevo tanto quando estás presente e novamente me tomas e me arrancas de mim me desguiando por esses caminhos conhecidos onde atrás de cada palavra tento desesperado encontrar um sentido, um código, uma senha qualquer que me permita esperar por um atalho onde não desvies tão súbito os olhos, onde teu dedo não roce tão passageiro no meu braço, onde te detenhas mais demorando sobre isso que sou e penses que sabe que se aceito tuas tramas, e vomitas sobre mim, e depois puxa a descarga e te vais, me deixando repleto dos restos amargos do que não digeriste, mas mesmo assim penses que poderias aceitar também meus jogos, esses que não proponho, ah detritos, mas tudo isso é inútil e bem sei de como tenho tentado me alimentar dessa casca suja que chamamos com fome e pena de pequenas-esperanças, enquanto definho feito um animal alimentado, apenas com água, uma água rala e pouca, não essa densa espessa turva do mar de que me falaste no começo da tarde que agora vai-se indo devagar atrás das minhas costas, e parado aqui do teu lado, sem que me vejas, lentamente afio as pedras e as facas do fundo das minhas pupilas, para que a noite não me encontre outra vez insone, recomponho sozinho um por um dos teus traços, dos teus pêlos, para que quando esses teus olhos escuros e parados como as águas do mar de inverno na praia onde talvez caminhes ainda, enquanto me adentro em gumes, resvalaram outra vez pelos meus, que seu fio esteja tão aguçado que possa rasgar-te até o fundo, para que te arrastes nesse chão que juncamos todos os dias de papéis rabiscadas e pontas de cigarro, sangrando e gemendo, a implorar de mim aquele mesmo gesto que nunca fizeste, e nem sempre sei exatamente qual seria, mas que nos arrancasse brusco e definitivo dessa mentira gentil onde não sei se deliberados ou casuais afundamos pouco a pouco, bêbados como moscas sobre açúcar, melados de nossa própria cínica doçura acovardada, contaminado por nossa falsa pureza, encharcados de palavras e literatura, e depois nos jogasse completamente nus, sem nenhuma história, sem nenhuma palavra, nessa mesma beira de mar das costas da tua terra, e de novo então me vens e me chegas e me invades e me tomas e me pedes e me perdes e te derramas sobre mim com teus olhos sempre fugitivos e abres a boca para libertar novas histórias e outra vez me completo assim, sem urgências, e me concentro inteiro nas coisas que me contas, e assim calado, e assim submisso, te mastigo dentro de mim enquanto me apunhalas com lenta delicadeza deixando claro em cada promessa que jamais será cumprida, que nada devo esperar além dessa máscara colorida, que me queres assim porque é assim que és e unicamente assim é que me queres e me utilizas todos os dias, e nos usamos honestamente assim, eu digerindo faminto o que teu corpo rejeita, bebendo teu mágico veneno porco que me ilumina e me anoitece a cada dia, e passo a passo afundo nesse charco que não sei se é o grande conhecimento de nós ou o imenso engano de ti e de mim, nos afastamos depois cautelosos ao entardecer, e na solidão de cada um sei que tecemos lentos nossa próxima mentira, tão bem urdida que na manhã seguinte será como verdade pura e sorriremos amenos, desviando os olhos, corriqueiros, à medida que o dia avança estruturando milímetro a milímetro uma harmonia que só desabará levemente em cada roçar temeroso de olhos ou de peles, os gelos, os vermes roendo os porões que insistimos em manter até que o não-feito acumulado durante todo esse tempo cresça feito célula cancerosa para quem sabe explodir em feridas visíveis indisfarçáveis, flores de um louco vermelho na superfície da pele que recusamos tocar por nojo ou covardia ou paixão tão endemoniada que não suportaria a água benta de seu próprio batismo, e enquanto falas e me enredas e me envolves e me fascinas com tua voz monocórdia e sempre baixa, de estranho acento estrangeiro, penso sempre que o mar não é esse denso escuro que me contas, sem palmeiras nem ilhas nem baías nem gaivotas, mas um outro mais claro e verde, num lugar qualquer onde é sempre verão e as emoções limpas como as areias que pisamos, não sabes desse meu mar porque nada digo, e temo que seja outra vez aquela coisa piedosa, faminta, as pequenas-esperanças, mas quando desvio meu olho do teu, dentro de mim guardo sempre teu rosto e sei que por escolha impossível recuar para não ir até o fim e o fundo disso que nunca vivi antes e talvez tenha inventado apenas para me distrair nesses dias onde aparentemente nada acontece e tenha inventado quem sabe em ti um brinquedo semelhante ao meu para que não passem tão desertas as manhãs e as tardes buscando motivos para os sustos e as insônias e as inúteis esperas ardentes e loucas invenções noturnas, e lentamente falas, e lentamente calo, e lentamente aceito, e lentamente quebro, e lentamente falho, e lentamente caio cada vez mais fundo e já não consigo voltar à tona porque a mão que me estendes ao invés de me emergir me afunda mais e mais enquanto dizes e contas e repetes essas histórias longas, essas histórias tristes, essas histórias loucas como esta que acabaria aqui, agora, assim, se outra vez não viesses e me cegasses e me afogasses nesse mar aberto que nós sabemos que não acaba assim nem agora nem aqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Caio Fernando Abreu&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3424033135505399754-1663984894011673089?l=poesiaescritaemgasolina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poesiaescritaemgasolina.blogspot.com/feeds/1663984894011673089/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://poesiaescritaemgasolina.blogspot.com/2010/05/beira-do-mar-aberto.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3424033135505399754/posts/default/1663984894011673089'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3424033135505399754/posts/default/1663984894011673089'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poesiaescritaemgasolina.blogspot.com/2010/05/beira-do-mar-aberto.html' title='À Beira do Mar Aberto'/><author><name>Chileno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02966781458294485252</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_MueYRaJPnRE/Sc3_D3hKMKI/AAAAAAAAAAM/TOmelzq-2lk/S220/Recreacion_artistica_hombre_Neandertal.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3424033135505399754.post-1324219011123159036</id><published>2010-05-20T04:48:00.000-07:00</published><updated>2010-05-20T04:53:27.126-07:00</updated><title type='text'>Os dragões não conhecem o paraíso</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Caio Fernando Abreu&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho um dragão que mora comigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não, isso não é verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não tenho nenhum dragão. E, ainda que tivesse, ele não moraria comigo nem com ninguém. Para os dragões, nada mais inconcebível que dividir seu espaço - seja com outro dragão, seja com uma pessoa banal feito eu. Ou invulgar, como imagino que os outros devam ser. Eles são solitários, os dragões. Quase tão solitários quanto eu me encontrei, sozinho neste apartamento, depois de sua partida. Digo quase porque, durante aquele tempo em que ele esteve comigo, alimentei a ilusão de que meu isolamento para sempre tinha acabado. E digo ilusão porque, outro dia, numa dessas manhãs áridas da ausência dele, felizmente cada vez menos freqüentes (a aridez, não a ausência), pensei assim: Os homens precisam da ilusão do amor da mesma forma que precisam da ilusão de Deus. Da ilusão do amor para não afundarem no poço horrível da solidão absoluta; da ilusão de Deus, para não se perderem no caos da desordem sem nexo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso me pareceu gradiloqüente e sábio como uma idéia que não fosse minha, tão estúpidos costumam ser meus pensamentos. E tomei nota rapidamente no guardanapo do bar onde estava. Escrevi também mais alguma coisa que ficou manchada pelo café. Até hoje não consigo decifrá-la. Ou tenho medo da minha - felizmente indecifrável - lucidez daquele dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou me confundindo, estou me dispersando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O guardanapo, a frase, a mancha, o medo - isso deve vir mais tarde. Todas essas coisas de que falo agora - as particularidades dos dragões, a banalidade das pessoas como eu -, só descobri depois. Aos poucos, na ausência dele, enquanto tentava compreendê-lo. Cada vez menos para que minha compreensão fosse sedutora, e cada vez mais para que essa compreensão ajudasse a mim mesmo a. Não sei dizer. Quando penso desse jeito, enumero proposições como: a ser uma pessoa menos banal, a ser mais forte, mais seguro, mais sereno, mais feliz, a navegar com um mínimo de dor. Essas coisas todas que decidimos fazer ou nos tornar quando algo que supúnhamos grande acaba, e não há nada a ser feito a não ser continuar vivendo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, que seja doce. Repito todas as manhãs, ao abrir as janelas para deixar entrar o sol ou o cinza dos dias, bem assim: que seja doce. Quando há sol, e esse sol bate na minha cara amassada do sono ou da insônia, contemplando as partículas de poeira soltas no ar, feito um pequeno universo, repito sete vezes para dar sorte: que seja doce que seja doce que seja doce e assim por diante.&lt;br /&gt;Mas, se alguém me perguntasse o que deverá ser doce, talvez não saiba responder. Tudo é tão vago como se não fosse nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ninguém perguntará coisa alguma, penso. Depois continuo a contar para mim mesmo, como se fosse ao mesmo tempo o velho que conta e a criança que escuta, sentado no colo de mim. Foi essa a imagem que me veio hoje pela manhã quando, ao abrir a janela, decidi que não suportaria passar mais um dia sem contar esta história de dragões. Consegui evitá-la até o meio da tarde. Dói, um pouco. Não mais uma ferida recente, apenas um pequeno espinho de rosa, coisa assim, que você tenta arrancar da palma da mão com a ponta de uma agulha. Mas, se você não consegue extirpá-lo, o pequeno espinho pode deixar de ser uma pequena dor para se transformar numa grande chaga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, agora, estou aqui. Ponta fina de agulha equilibrada entre os dedos da mão direita, pairando sobre a palma aberta da mão esquerda. Algumas anotações em volta, tomadas há muito tempo, o guardanapo de papel do bar, com aquelas palavras sábias que não parecem minhas e aquelas outras, manchadas, que não consigo ou não quero ou finjo não poder decifrar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda não comecei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Queria tanto saber dizer Era uma vez. Ainda não consigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas preciso começar de alguma forma. E esta, enfim, sem começar propriamente, assim confuso, disperso, monocórdio, me parece um jeito tão bom ou mau quanto qualquer outro de começar uma história. Principalmente se for uma história de dragões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gosto de dizer tenho um dragão que mora comigo, embora não seja verdade. Como eu dizia, um dragão jamais pertence a, nem mora com alguém. Seja uma pessoa banal igual a mim, seja unicórnio, salamandra, harpia, elfo, hamadríade, sereia ou ogro. Duvido que um dragão conviva melhor com esses seres mitológicos, mais semelhantes à natureza dele, do que com um ser humano. Não que sejam insociáveis. Pelo contrário, às vezes um dragão sabe ser gentil e submisso como uma gueixa. Apenas, eles não dividem seus hábitos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ninguém é capaz de compreender um dragão. Eles jamais revelam o que sentem. Quem poderia compreender, por exemplo, que logo ao despertar (e isso pode acontecer em qualquer horário, às três ou às onze da noite, já que o dia e a noite deles acontecem para dentro, mas é mais previsível entre sete e nove da manhã, pois essa é a hora dos dragões) sempre batem a cauda três vezes, como se tivessem furiosos, soltando fogo pelas ventas e carbonizando qualquer coisa próxima num raio de mais de cinco metros? Hoje, pondero: talvez seja essa a sua maneira desajeitada de dizer, como costumo dizer agora, ao despertar - que seja doce.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas no tempo em que vivia comigo, eu tentava - digamos - adaptá-lo às circunstâncias. Dizia por favor, tente compreender, querido, os vizinho banais do andar de baixo já reclamaram da sua cauda batendo no chão ontem às quatro da madrugada. O bebê acordou, disseram, não deixou ninguém mais dormir. Além disso, quando você desperta na sala, as plantas ficam todas queimadas pelo seu fogo. E, quanto você desperta no quarto, aquela pilha de livros vira cinzas na minha cabeceira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele não prometia corrigir-se. E eu sei muito bem como tudo isso parece ridículo. Um dragão nunca acha que está errado. Na verdade, jamais está. Tudo que faz, e que pode parecer perigoso, excêntrico ou no mínimo mal-educado para um humano igual a mim, é apenas parte dessa estranha natureza dos dragões. Na manhã, na tarde ou na noite seguintes, quanto ele despertasse outra vez, novamente os vizinhos reclamariam e as prímulas amarelas e as begônias roxas e verdes, e Kafka, Salinger, Pessoa, Clarice e Borges a cada dia ficariam mais esturricados. Até que, naquele apartamento, restássemos eu e ele entre as cinzas. Cinzas são como sedas para um dragão, nunca para um humano, porque a nós lembra destruição e morte, não prazer. Eles trafegam impunes, deliciados, no limiar entre essa zona oculta e a mais mundana. O que não podemos compreender, ou pelo menos aceitar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além de tudo: eu não o via. Os dragões são invisíveis, você sabe. Sabe? Eu não sabia. Isso é tão lento, tão delicado de contar - você ainda tem paciência? Certo, muito lógico você querer saber como, afinal, eu tinha tanta certeza da existência dele, se afirmo que não o via. Caso você dissesse isso, ele riria. Se, como os homens e as hienas, os dragões tivessem o dom ambíguo do riso. Você o acharia talvez irônico, mas ele estaria impassível quanto perguntasse assim: mas então você só acredita naquilo que vê? Se você dissesse sim, ele falaria em unicórnios, salamandras, harpias, hamadríades, sereias e ogros. Talvez em fadas também, orixás quem sabe? Ou átomos, buracos negros, anãs brancas, quasars e protozoários. E diria, com aquele ar levemente pedante: "Quem só acredita no visível tem um mundo muito pequeno. Os dragões não cabem nesses pequenos mundos de paredes invioláveis para o que não é visível".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele gostava tanto dessas palavras que começam com in - invisível, inviolável, incompreensível -, que querem dizer o contrário do que deveriam. Ele próprio era inteiro o oposto do que deveria ser. A tal ponto que, quando o percebia intratável, para usar uma palavra que ele gostaria, suspeitava-o ao contrário: molhado de carinho. Pensava às vezes em tratá-lo dessa forma, pelo avesso, para que fôssemos mais felizes juntos. Nunca me atrevi. E, agora que se foi, é tarde demais para tentar requintadas harmonias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele cheirava a hortelã e alecrim. Eu acreditava na sua existência por esse cheiro verde de ervas esmagadas dentro das duas palmas das mãos. Havia outros sinais, outros augúrios. Mas quero me deter um pouco nestes, nos cheiros, antes de continuar. Não acredite se alguém, mesmo alguém que não tenha um mundo pequeno, disser que os dragões cheiram a cavalos depois de uma corrida, ou a cachorros das ruas depois da chuva. A quartos fechados, mofo, frutas podres, peixe morto e maresia - nunca foi esse o cheiro dos dragões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A hortelã e alecrim, eles cheiram. Quando chegava, o apartamento inteiro ficava impregnado desse perfume. Até os vizinhos, aqueles do andar de baixo, perguntavam se eu andava usando incenso ou defumação. Bem, a mulher perguntava. Ela tinha uns olhos azuis inocentes. O marido não dizia nada, sequer me cumprimentava. Acho que pensava que era uma dessas ervas de índio que as pessoas costumam fumar quando moram em apartamentos, ouvindo música muito alto. A mulher dizia que o bebê dormia melhor quando esse cheiro começava a descer pelas escadas, mais forte de tardezinha, e que o bebê sorria, parecendo sonhar. Sem dizer nada, eu sabia que o bebê sonhava com dragões, unicórnios ou salamandras, esse era um jeito do seu mundo ir-se tornando aos poucos mais largo. Mas os bebês costumam esquecer dessas coisas quanto deixam de ser bebês, embora possuam a estranha facilidade de ver dragões - coisa que só os mundos muito largos conseguem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu aprendi o jeito de perceber quando o dragão estava a meu lado. Certa vez, descemos juntos pelo elevador com aquela mulher de olhos-azuis-inocentes e seu bebê, que também tinha olhos-azuis-inocentes. O bebê olhou o tempo todo para onde estava o dragão. Os dragões param sempre do lado esquerdo das pessoas, para conversar direto com o coração. O ar a meu lado ficou leve, de uma coloração vagamente púrpura. Sinal que ele estava feliz. Ele, o dragão, e também o bebê, e eu, e a mulher, e a japonesa que subiu no sexto andar, e um rapaz de barba no terceiro. Sorríamos suaves, meio tolos, descendo juntos pelo elevador numa tarde que lembro de abril - esse é o mês dos dragões - dentro daquele clima de eternidade fluida que apenas os dragões, mas só às vezes, sabem transmitir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por situações como essa, eu o amava. E o amo ainda, quem sabe mesmo agora, quem sabe mesmo sem saber direito o significado exato dessa palavra seca - amor. Se não o tempo todo, pelo menos quanto lembro de momentos assim. Infelizmente, raros. A aspereza e avesso parecem ser mais constantes na natureza dos dragões do que a leveza e o direito. Mas queria falar de antes do cheiro. Havia outros sinais, já disse. Vagos, todos eles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos dias que antecediam a sua chegada, eu acordava no meio da noite, o coração disparado. As palmas das mãos suavam frio. Sem saber porque, nas manhãs seguintes, compulsivamente eu começava a comprar flores, limpar a casa, ir ao supermercado e à feira para encher o apartamento de rosas e palmas e morangos daqueles bem gordos e cachos de uvas reluzentes e berinjelas luzidias (os dragões, descobri depois, adoram contemplar berinjelas) que eu mesmo não conseguia comer. Arrumava em pratos, pelos cantos, com flores e velas e fitas, para que os espaços ficassem mais bonito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como uma fome, me dava. Mas uma fome de ver, não de comer. Sentava na sala toda arrumada, tapete escovado, cortinas lavadas, cestas de frutas, vasos de flores - acendia um cigarro e ficava mastigando com os olhos a beleza das coisas limpas, ordenadas, sem conseguir comer nada com a boca, faminto de ver. À medida que a casa ficava mais bonita, eu me tornava cada vez mais feio, mais magro, olheiras fundas, faces encovadas. Porque não conseguia dormir nem comer, à espera dele. Agora, agora vou ser feliz, pensava o tempo todo numa certeza histérica. Até que aquele cheiro de alecrim, de hortelã, começasse a ficar mais forte, para então, um dia, escorregar que nem brisa por baixo da porta e se instalar devagarzinho no corredor de entrada, no sofá da sala, no banheiro, na minha cama. Ele tinha chegado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esses ritmos, só descobri aos poucos. Mesmo o cheiro de hortelã e alecrim, descobri que era exatamente esse quando encontrei certas ervas numa barraca de feira. Meu coração disparou, imaginei que ele estivesse por perto. Fui seguindo o cheiro, até me curvar sobre o tabuleiro para perceber: eram dois maços verdes, a hortelã de folhinhas miúdas, o alecrim de hastes compridas com folhas que pareciam espinhos, mas não feriam. Pergunte o nome, o homem disse, eu não esqueci. Por pura vertigem, nos dias seguintes repetia quanto sentia saudade: alecrim hortelã alecrim hortelã alecrim hortelã alecrim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes, antes ainda, o pressentimento de sua visita trazia unicamente ansiedade, taquicardias, aflição, unhas roídas. Não era bom. Eu não conseguia trabalhar, ira ao cinema, ler ou afundar em qualquer outra dessas ocupações banais que as pessoas como eu têm quando vivem. Só conseguia pensar em coisas bonitas para a casa, e em ficar bonito eu mesmo para encontrá-lo. A ansiedade era tanta que eu enfeiava, à medida que os dias passavam. E, quando ele enfim chegava, eu nunca tinha estado tão feio. Os dragões não perdoam a feiúra. Menos ainda a daqueles que honram com sua rara visita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois que ele vinha, o bonito da casa contrastando com o feio do meu corpo, tudo aos poucos começava a desabar. Feito dor, não alegria. Agora agora agora vou ser feliz, eu repetia: agora agora agora. E forçava os olhos pelos cantos de prata esverdeadas, luz fugidia, a ponta em seta de sua cauda pela fresta de alguma porta ou fumaça de suas narinas, sempre mau, e a fumaça, negra. Naqueles dias, enlouquecia cada vez mais, querendo agora já urgente ser feliz. Percebendo minha ânsia, ele tornava-se cada vez mais remoto. Ausentava-se, retirava-se, fingia partir. Rarefazia seu cheiro de ervas até que não passasse de uma suspeita verde no ar. Eu respirava mais fundo, perdia o fôlego no esforço de percebê-lo, dias após dia, enquanto flores e frutas apodreciam nos vasos, nos cestos, nos cantos. Aquelas mosquinhas negras miúdas esvoaçavam em volta delas, agourentas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo apodrecia mais e mais, sem que eu percebesse, doído do impossível que era tê-lo. Atento somente à minha dor, que apodrecia também, cheirava mal. Então algum dos vizinhos batia à porta para saber se eu tinha morrido e sim, eu queria dizer, estou apodrecendo lentamente, cheirando mal como as pessoas banais ou não cheiram quando morrem, à espera de uma felicidade que não chega nunca. Ele não compreenderia. Eu não compreendia, naqueles dias - você compreende?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os dragões, já disse, não suportam a feiúra. Ele partia quando aquele cheiro de frutas e flores e, pior que tudo, de emoções apodrecidas tornava-se insuportável. Igual e confundido ao cheiro da minha felicidade que, desta e mais uma vez, ele não trouxera. Dormindo ou acordado, eu recebia sua partida como um súbito soco no peito. Então olhava para cima, para os lados, à procura de Deus ou qualquer coisa assim - hamadríades, arcanjos, nuvens radioativas, demônios que fossem. Nunca os via. Nunca via nada além das paredes de repente tão vazias sem ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só quem já teve um dragão em casa pode saber como essa casa parece deserta depois que ele parte. Dunas, geleiras, estepes. Nunca mais reflexos esverdeados pelos cantos, nem perfume de ervas pelo ar, nunca mais fumaças coloridas ou formas como serpentes espreitando pelas frestas de portas entreabertas. Mais triste: nunca mais nenhuma vontade de ser feliz dentro da gente, mesmo que essa felicidade nos deixe com o coração disparado, mãos úmidas, olhos brilhantes e aquela fome incapaz de engolir qualquer coisa. A não ser o belo, que é de ver, não de mastigar, e por isso mesmo também uma forma de desconforto. No turvo seco de uma casa esvaziada da presença de um dragão, mesmo voltando a comer e a dormir normalmente, como fazem as pessoas banais, você não sabe mais se não seria preferível aquele pântano de antes, cheio de possibilidades - que não aconteciam, mas que importa? - a esta secura de agora. Quando tudo, sem ele, é nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, acho que sei. Um dragão vem e parte para que seu mundo cresça? Pergunto - porque não estou certo - coisas talvez um tanto primárias, como: um dragão vem e parte para que você aprenda a dor de não tê-lo, depois de ter alimentado a ilusão de possuí-lo? E para, quem sabe, que os humanos aprendam a forma de retê-lo, se ele um dia voltar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não, não é assim. Isso não é verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os dragões não permanecem. Os dragões são apenas a anunciação de si próprios. Eles se ensaiam eternamente, jamais estréiam. As cortinas não chegam a se abrir para que entrem em cena. Eles se esboçam e se esfumam no ar, não se definem. O aplauso seria insuportável para eles: a confirmação de que sua inadequação é compreendida e aceita e admirada, e portanto - pelo avesso igual ao direito - incompreendida, rejeitada, desprezada. Os dragões não querem ser aceitos. Eles fogem do paraíso, esse paraíso que nós, as pessoas banais, inventamos - como eu inventava uma beleza de artifícios para esperá-lo e prendê-lo para sempre junto a mim. Os dragões não conhecem o paraíso, onde tudo acontece perfeito e nada dói nem cintila ou ofega, numa eterna monotonia de pacífica falsidade. Seu paraíso é o conflito, nunca a harmonia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando volto apensar nele, nestas noites em que dei para me debruçar à janela procurando luzes móveis pelo céu, gosto de imaginá-lo voando com suas grandes asas douradas, solto no espaço, em direção a todos os lugares que é lugar nenhum. Essa é sua natureza mais sutil, avessa às prisões paradisíacas que idiotamente eu preparava com armadilhas de flores e frutas e fitas, quando ele vinha. Paraísos artificiais que apodreciam aos poucos, paraíso de eu mesmo - tão banal e sedento - a tolerar todas as suas extravagâncias, o que devia lhe soar ridículo, patético e mesquinho. Agora apenas deslizo, sem excessivas aflições de ser feliz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As manhãs são boas para acordar dentro delas, beber café, espiar o tempo. Os objetos são bons de olhar para eles, sem muitos sustos, porque são o que são e também nos olham, com olhos que nada pensam. Desde que o mandei embora, para que eu pudesse enfim aprender a grande desilusão do paraíso, é assim que sinto: quase sem sentir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resta esta história que conto, você ainda está me ouvindo? Anotações soltas sobre a mesa, cinzeiros cheios, copos vazios e este guardanapo de papel onde anotei frases aparentemente sábias sobre o amor e Deus, com uma frase que tenho medo de decifrar e talvez, afinal, diga apenas qualquer coisa simples feito: nada disso existe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nada, nada disso existe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então quase vomito e choro e sangro quando penso assim. Mas respiro fundo, esfrego as palmas das mãos, gero energia em mim. Para manter-me vivo, saio à procura de ilusões como o cheiro das ervas ou reflexos esverdeados de escamas pelo apartamento e, ao encontrá-los, mesmo apenas na mente, tornar-me então outra vez capaz de afirmar, como num vício inofensivo: tenho um dragão que mora comigo. E, desse jeito, começar uma nova história que, desta vez sim, seria totalmente verdadeira, mesmo sendo completamente mentira. Fico cansado do amor que sinto, e num enorme esforço que aos poucos se transforma numa espécie de modesta alegria, tarde da noite, sozinho neste apartamento no meio de uma cidade escassa de dragões, repito e repito este meu confuso aprendizado para a criança-eu-mesmo sentada aflita e com frio nos joelhos do sereno velho-eu-mesmo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Dorme, só existe o sonho. Dorme, meu filho. Que seja doce.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não, isso também não é verdade.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3424033135505399754-1324219011123159036?l=poesiaescritaemgasolina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poesiaescritaemgasolina.blogspot.com/feeds/1324219011123159036/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://poesiaescritaemgasolina.blogspot.com/2010/05/os-dragoes-nao-conhecem-o-paraiso-tenho.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3424033135505399754/posts/default/1324219011123159036'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3424033135505399754/posts/default/1324219011123159036'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poesiaescritaemgasolina.blogspot.com/2010/05/os-dragoes-nao-conhecem-o-paraiso-tenho.html' title='Os dragões não conhecem o paraíso'/><author><name>Chileno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02966781458294485252</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_MueYRaJPnRE/Sc3_D3hKMKI/AAAAAAAAAAM/TOmelzq-2lk/S220/Recreacion_artistica_hombre_Neandertal.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3424033135505399754.post-7194371542801005507</id><published>2010-05-20T04:46:00.000-07:00</published><updated>2010-05-20T04:54:43.409-07:00</updated><title type='text'>Harriet</title><content type='html'>Para Luzia Peltier, que soube dela&lt;br /&gt;"No fundo do peito, esse fruto apodrecendoa cada dentada."(Macalé &amp; Duda Machado: Hotel das Estrelas)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chamava-se Harriett, mas não era loura. As pessoas sempre esperavam dela coisas como longas tranças, olhos azuis e voz mansa. Espantavam-se com os ombros largos, a cabeleira meio áspera, o rosto marcado e duro, os olhos escurecidos. Harriett não brincava com os outros quando a gente era criança. Harriett ficava sozinha o tempo todo. Mesmo assim, as pessoas gostavam dela.Quase todo mundo foi na estação quando eles foram embora para a capital. Ela estava debruçada na janela, com os cabelos ásperos em torno das maçãs salientes. Eu fiquei olhando para Harriett sem conseguir imaginá-la no meio dos edifícios e dos automóveis. Acho que senti pena - e acho que ela sentiu que eu sentia pena dela, porque de repente fez uma coisa completamente inesperada. Harriett desceu do trem e me deu um beijo no rosto. Um beijo duro e seco. Qualquer coisa como uma vergonha de gostar.Essa foi a primeira vez que eu vi os pés dela. Estavam descalços e um pouco sujos. Os pés dela eram os pés que a gente esperava de uma Harriett. Pequenos e brancos, de unhas azuladas como de criança. Eu queria muito ficar olhando para seus pés porque achei que só tinha descoberto Harriett na hora dela ir embora. Mas o trem se foi. E ela não olhou pela janela.&lt;br /&gt;Um tempo depois a gente viu uma fotografia dela numa revista, com um vestido de baile. Harriett era manequim na capital. Todo mundo falou e comprou a revista. Quase todos os dias a gente via a foto dela nos jornais. Harriett era famosa. A cidade adorava ela, mas ela nunca escreveu uma carta para ninguém.Muito tempo depois, eu a vi outra vez. Eu estava trabalhando num jornal e tinha que fazer uma entrevista com ela. Harriett estava sozinha e não ficou feliz em me ver. Continuava grande e consumida e tinha nos olhos uma sombra cheia de dor. Fumava. Falei da cidade, das pessoas, das ruas - mas ela pareceu não lembrar. Contou-me de seus filmes, seus desfiles, suas viagens - contou-me tudo com uma voz lenta e rouca. Depois, sem que eu entendesse por que, mostrou-me uma coisa que ela tinha escrito. Uma coisa triste parecida com uma carta. Tinha um pedaço que nunca mais consegui esquecer, e que falava assim:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;sabe que o meu gostar por você chegou a seramor pois se eu me comovia vendo você poisse eu acordava no meio da noite só pra vervocê dormindo meu deus como você me doíavezenquando eu vou ficar esperando vocênuma tarde cinzenta de inverno bem no meioduma praça então meus braços não vão sersuficientes para abraçar você e a minha vozvai querer dizer tanta mas tanta coisa que euvou ficar calada um tempo enorme só olhandovocê sem dizer nada só olhando olhando epensando meu deus ah meus deus como vocême dói vezenquando&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando terminei de ler, tinha vontade de chorar e fiquei uma porção de tempo olhando para os pés dela. E pensei que ela parecia ter escrito aquilo com seus pés de criança, não com as mãos ossudas. Eu disse para Harriett que era lindo, mas ela me olhou com aquela cara dura que a gente não esperava de uma Harriett e disse que não adiantava nada ser lindo. Tive vontade de fazer alguma coisa por ela. Mas eu só tinha uma vaga numa pensão ordinária e um número de telefone sempre estragado. Eu não podia fazer nada. E se pudesse, ela também não deixaria. Fui embora com a impressão de que ela queria dizer alguma coisa.Três dias depois a gente soube que ela tinha tomado um monte de comprimidos para dormir, cortou os pulsos e enfiou a cabeça no forno do fogão a gás. Foi muita gente no enterro e ficaram inventando histórias sujas e tristes. Mas ninguém soube. Ninguém soube nunca dos pés de Harriett. Só eu. Um desses invernos eu vou encontrar com ela no meio duma praça cinzenta e vou ficar uma porção de tempo sem dizer nada só olhando e pensando: que pena - que pena, Harriett, você não ter sido loura. Vezenquando, pelo menos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Caio Fernando Abreu&lt;/span&gt; “Harriett”. O Ovo Apunhalado. L&amp;PM Pocket. 2005. Pgs.: 127-129.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3424033135505399754-7194371542801005507?l=poesiaescritaemgasolina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poesiaescritaemgasolina.blogspot.com/feeds/7194371542801005507/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://poesiaescritaemgasolina.blogspot.com/2010/05/harriet-harriett-para-luzia-peltier-que.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3424033135505399754/posts/default/7194371542801005507'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3424033135505399754/posts/default/7194371542801005507'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poesiaescritaemgasolina.blogspot.com/2010/05/harriet-harriett-para-luzia-peltier-que.html' title='Harriet'/><author><name>Chileno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02966781458294485252</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_MueYRaJPnRE/Sc3_D3hKMKI/AAAAAAAAAAM/TOmelzq-2lk/S220/Recreacion_artistica_hombre_Neandertal.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3424033135505399754.post-4103301217215757812</id><published>2010-05-20T04:45:00.000-07:00</published><updated>2010-05-20T04:57:21.845-07:00</updated><title type='text'>Para uma avenca partindo</title><content type='html'>olha, antes do ônibus partir eu tenho uma porção de coisas pra te dizer, dessas coisas assim que não se dizem costumeiramente, sabe, dessas coisas tão difíceis de serem ditas que geralmente ficam caladas, porque nunca se sabe nem como serão ditas nem como serão ouvidas, compreende? olha, falta muito pouco tempo, e se eu não te disser agora talvez não diga nunca mais, porque tanto eu como você sentiremos uma falta enorme dessas coisas, e se elas não chegarem a ser ditas nem eu nem você nos sentiremos satisfeitos com tudo que existimos, porque elas não foram existidas completamente, entende, porque as vivemos apenas naquela dimensão em que é permitido viver, não, não é isso que eu quero dizer, não existe uma dimensão permitida e uma outra proibida, indevassável, não me entenda mal, mas é que a gente tem tanto medo de penetrar naquilo que não sabe se terá coragem de viver, no mais fundo, eu quero dizer, é isso mesmo, você está acompanhando meu raciocínio? falava do mais fundo, desse que existe em você, em mim, em todos esses outros com suas malas, suas bolsas, suas maçãs, não, não sei porque todo mundo compra maçãs antes de viajar, nunca tinha pensado nisso, por favor, não me interrompa, realmente não sei, existem coisas que a gente ainda não pensou, que a gente talvez nunca pense, eu, por exemplo, nunca pensei que houvesse alguma coisa a dizer além de tudo o que já foi dito, ou melhor pensei sim, não, pensar propriamente dito não, mas eu sabia, é verdade que eu sabia, que havia uma outra coisa atrás e além das nossas mãos dadas, dos nossos corpos nus, eu dentro de você, e mesmo atrás dos silêncios, aqueles silêncios saciados, quando a gente descobria alguma coisa pequena para observar, um fio de luz coado pela janela, um latido de cão no meio da noite, você sabe que eu não falaria dessas coisas se não tivesse a certeza de que você sentia o mesmo que eu a respeito dos fios de luz, dos latidos de cães, é, eu não falaria, uma vez eu disse que a nossa diferença fundamental é que você era capaz apenas de viver as superfícies, enquanto eu era capaz de ir ao mais fundo, você riu porque eu dizia que não era cantando desvairadamente até ficar rouca que você ia conseguir saber alguma coisa a respeito de si própria, mas sabe, você tinha razão em rir daquele jeito porque eu também não tinha me dado conta de que enquanto ia dizendo aquelas coisas eu também cantava desvairadamente até ficar rouco, o que eu quero dizer é que nós dois cantamos desvairadamente até agora sem nos darmos contas, é por isso que estou tão rouco assim, não, não é dessa coisa de garganta que falo, é de uma outra de dentro, entende? por favor, não ria dessa maneira nem fique consultando o relógio o tempo todo, não é preciso, deixa eu te dizer antes que o ônibus parta que você cresceu em mim de um jeito completamente insuspeitado, assim como se você fosse apenas uma semente e eu plantasse você esperando ver uma plantinha qualquer, pequena, rala, uma avenca, talvez samambaia, no máximo uma roseira, é, não estou sendo agressivo não, esperava de você apenas coisas assim, avenca, samambaia, roseira, mas nunca, em nenhum momento essa coisa enorme que me obrigou a abrir todas as janelas, e depois as portas, e pouco a pouco derrubar todas as paredes e arrancar o telhado para que você crescesse livremente, você não cresceria se eu a mantivesse presa num pequeno vaso, eu compreendi a tempo que você precisava de muito espaço, claro, claro que eu compro uma revista pra você, eu sei, é bom ler durante a viagem, embora eu prefira ficar olhando pela janela e pensando coisas, estas mesmas coisas que estou tentando dizer a você sem conseguir, por favor, me ajuda, senão vai ser muito tarde, daqui a pouco não vai mais ser possível, e se eu não disser tudo não poderei nem dizer e nem fazer mais nada, é preciso que a gente tente de todas as maneiras, é o que estou fazendo, sim, esta é minha última tentativa, olha, é bom você pegar sua passagem, porque você sempre perde tudo nessa sua bolsa, não sei como é que você consegue, é bom você ficar com ela na mão para evitar qualquer atraso, sim, é bom evitar os atrasos, mas agora escuta: eu queria te dizer uma porção de coisas, de uma porção de noites, ou tardes, ou manhãs, não importa a cor, é, a cor, o tempo é só uma questão de cor não é? por isso não importa, eu queria era te dizer dessas vezes em que eu te deixava e depois saía sozinho, pensando também nas coisas que eu não ia te dizer, porque existem coisas terríveis, eu me perguntava se você era capaz de ouvir, sim, era preciso estar disponível para ouvi-las, disponível em relação a quê? não sei, não me interrompa agora que estou quase conseguindo, disponível só, não é uma palavra bonita? sabe, eu me perguntava até que ponto você era aquilo que eu via em você ou apenas aquilo que eu queria ver em você, eu queria saber até que ponto você não era apenas uma projeção daquilo que eu sentia, e se era assim, até quando eu conseguiria ver em você todas essas coisas que me fascinavam e que no fundo, sempre no fundo, talvez nem fossem suas, mas minhas, e pensava que amar era só conseguir ver, e desamar era não mais conseguir ver, entende? dolorido-colorido, estou repetindo devagar para que você possa compreender, melhor, claro que eu dou um cigarro pra você, não, ainda não, faltam uns cinco minutos, eu sei que não devia fumar tanto, é eu sei que os meus dentes estão ficando escuros, e essa tosse intolerável, você acha mesmo a minha tosse intolerável? eu estava dizendo, o que é mesmo que eu estava dizendo? ah, sabe, entre duas pessoas essas coisas sempre devem ser ditas, o fato de você achar minha tosse intolerável, por exemplo, eu poderia me aprofundar nisso e concluir que você não gosta de mim o suficiente, porque se você gostasse, gostaria também da minha tosse, dos meus dentes escuros, mas não aprofundando não concluo nada, fico só querendo te dizer de como eu te esperava quando a gente marcava qualquer coisa, de como eu olhava o relógio e andava de lá pra cá sem pensar definidamente e nada, mas não, não é isso, eu ainda queria chegar mais perto daquilo que está lá no centro e que um dia destes eu descobri existindo, porque eu nem supunha que existisse, acho que foi o fato de você partir que me fez descobrir tantas coisas, espera um pouco, eu vou te dizer de todas as coisas, é por isso que estou falando, fecha a revista, por favor, olha, se você não prestar muita atenção você não vai conseguir entender nada, sei, sei, eu também gosto muito do peter fonda, mas isso agora não tem nenhuma importância, é fundamental que você escute todas as palavras, todas, e não fique tentando descobrir sentidos ocultos por trás do que estou dizendo, sim, eu reconheço que muitas vezes falei por metáforas, e que é chatíssimo falar por metáforas, pelo menos para quem ouve, e depois, você sabe, eu sempre tive essa preocupação idiota de dizer apenas coisas que não ferissem, está bem, eu espero aqui do lado da janela, é melhor mesmo você subir, continuamos conversando enquanto o ônibus não sai, espera, as maçãs ficam comigo, é muito importante, vou dizer tudo numa só frase, você vai ……… ………… …………. ………… ………. ……….. …………. ………… ………… ………… ……… ……….. ………… ………… sim, eu sei, eu vou escrever, não eu não vou escrever, mas é bom você botar um casaco, está esfriando tanto, depois, na estrada, olha, antes do ônibus partir eu quero te dizer uma porção de coisas, será que vai dar tempo? escuta, não fecha a janela, está tudo definido aqui dentro, é só uma coisa, espera um pouco mais, depois você arruma as malas e as botas, fica tranqüila, esse velho não vai incomodar você, olha, eu ainda não disse tudo, e a culpa é única e exclusivamente sua, por que você fica sempre me interrompendo e me fazendo suspeitar que você não passa mesmo duma simples avenca? eu preciso de muito silêncio e de muita concentração para dizer todas as coisas que eu tinha pra te dizer, olha, antes de você ir embora eu quero te dizer quê.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Caio Fernando Abreu&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3424033135505399754-4103301217215757812?l=poesiaescritaemgasolina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poesiaescritaemgasolina.blogspot.com/feeds/4103301217215757812/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://poesiaescritaemgasolina.blogspot.com/2010/05/para-uma-avenca-partindo-olha-antes-do.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3424033135505399754/posts/default/4103301217215757812'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3424033135505399754/posts/default/4103301217215757812'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poesiaescritaemgasolina.blogspot.com/2010/05/para-uma-avenca-partindo-olha-antes-do.html' title='Para uma avenca partindo'/><author><name>Chileno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02966781458294485252</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_MueYRaJPnRE/Sc3_D3hKMKI/AAAAAAAAAAM/TOmelzq-2lk/S220/Recreacion_artistica_hombre_Neandertal.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3424033135505399754.post-1775826693528070984</id><published>2010-04-04T19:30:00.000-07:00</published><updated>2010-04-04T19:45:00.063-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Verdades necessárias e contingentes&lt;br /&gt;&lt;a href="http://rolandoa.blogs.sapo.pt/46017.html"&gt;http://rolandoa.blogs.sapo.pt/46017.html&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Semiótica&lt;br /&gt;&lt;a href="http://usabilidoido.com.br/cat_semiotica.html"&gt;http://usabilidoido.com.br/cat_semiotica.html&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3424033135505399754-1775826693528070984?l=poesiaescritaemgasolina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poesiaescritaemgasolina.blogspot.com/feeds/1775826693528070984/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://poesiaescritaemgasolina.blogspot.com/2010/04/sartre-httpexistencialismo.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3424033135505399754/posts/default/1775826693528070984'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3424033135505399754/posts/default/1775826693528070984'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poesiaescritaemgasolina.blogspot.com/2010/04/sartre-httpexistencialismo.html' title=''/><author><name>Chileno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02966781458294485252</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_MueYRaJPnRE/Sc3_D3hKMKI/AAAAAAAAAAM/TOmelzq-2lk/S220/Recreacion_artistica_hombre_Neandertal.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3424033135505399754.post-1773406630942062243</id><published>2010-02-28T12:04:00.000-08:00</published><updated>2010-02-28T12:29:01.122-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>É como tentar recuperar o tempo perdido.&lt;br /&gt;Não há como.&lt;br /&gt;É tempo, como o tempo que não veio ainda. Inatingível, inalcançável. Em algum lugar dos planos. Em algum espaço perdido no próprio tempo. Em sua própria curva. Em minha memória. Na lista de memórias que não me deixam esquecer os tropeços. &lt;br /&gt;Correr atrás da máquina. A máquina implacável. &lt;br /&gt;Quem sabe assim, agora, em um presente presente, não passado, tudo seja diferente.&lt;br /&gt;Só existe o agora. &lt;br /&gt;E positivamente confabulando, acredito que posso fazer um passado diferente, todo dia.&lt;br /&gt;Mesmo que meu esporte favorito ainda seja enganar a mim mesmo. &lt;br /&gt;E 'mim' acredita sempre.&lt;br /&gt;Acredita em todas as bobagens criadas em nome do ficar bem.&lt;br /&gt;Mais uma máscara, um sorriso amarelo.&lt;br /&gt;Tapa ardido nas costas.&lt;br /&gt;De mim mesmo.&lt;br /&gt;Uma pastilha de hipocrisia e um gole de insensatez num copo de vidro grosso. &lt;br /&gt;Fosco de medo.&lt;br /&gt;É como querer mudar o que passou.&lt;br /&gt;O que fui.&lt;br /&gt;O que serei.&lt;br /&gt;Sem nem saber o que sou.&lt;br /&gt;Somos.&lt;br /&gt;Parar o tempo.&lt;br /&gt;E vejo que é sempre a saudade e o tempo que escapa dos bolsos furados.&lt;br /&gt;Eu falando com o tempo, como se isso me tornasse alguém melhor.&lt;br /&gt;Pra mim mesmo.&lt;br /&gt;MIM.&lt;br /&gt;É como parar no tempo e assistir, como algo material que se desfaz por conta própria. Por desleixo. &lt;br /&gt;O mal do milênio que amarela os dentes por falta de escovação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E nessas horas, nem mesmo um abraço quente me faz sentido.&lt;br /&gt;São só abraços.&lt;br /&gt;É só o sono.&lt;br /&gt;Amanhã vai ser melhor.&lt;br /&gt;E amanhã eu crio um passado diferente.&lt;br /&gt;Só existe o agora e agora, mim quer só dormir.&lt;br /&gt;Em nome do ficar bem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3424033135505399754-1773406630942062243?l=poesiaescritaemgasolina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poesiaescritaemgasolina.blogspot.com/feeds/1773406630942062243/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://poesiaescritaemgasolina.blogspot.com/2010/02/e-como-tentar-recuperar-o-tempo-perdido.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3424033135505399754/posts/default/1773406630942062243'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3424033135505399754/posts/default/1773406630942062243'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poesiaescritaemgasolina.blogspot.com/2010/02/e-como-tentar-recuperar-o-tempo-perdido.html' title=''/><author><name>Chileno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02966781458294485252</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_MueYRaJPnRE/Sc3_D3hKMKI/AAAAAAAAAAM/TOmelzq-2lk/S220/Recreacion_artistica_hombre_Neandertal.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3424033135505399754.post-3600497359558203645</id><published>2010-02-14T15:49:00.000-08:00</published><updated>2010-02-14T15:55:29.641-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Nada a declarar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.curtadodia.blogspot.com/2007/08/nada-declarar.html"&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3424033135505399754-3600497359558203645?l=poesiaescritaemgasolina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poesiaescritaemgasolina.blogspot.com/feeds/3600497359558203645/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://poesiaescritaemgasolina.blogspot.com/2010/02/httpwww.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3424033135505399754/posts/default/3600497359558203645'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3424033135505399754/posts/default/3600497359558203645'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poesiaescritaemgasolina.blogspot.com/2010/02/httpwww.html' title=''/><author><name>Chileno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02966781458294485252</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_MueYRaJPnRE/Sc3_D3hKMKI/AAAAAAAAAAM/TOmelzq-2lk/S220/Recreacion_artistica_hombre_Neandertal.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3424033135505399754.post-3422506961199735334</id><published>2009-11-14T21:39:00.001-08:00</published><updated>2009-11-14T21:40:18.346-08:00</updated><title type='text'>Sobre a liberdade</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;SOBRE A LIBERDADE &lt;/span&gt;- Por &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Albert Einstein&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sei que é inútil tentar discutir os juízos de valores fundamentais. Se&lt;br /&gt;alguém aprova como meta, por exemplo, a eliminação da espécie&lt;br /&gt;humana&lt;br /&gt;da face da Terra, não se pode refutar esse ponto de vista em bases&lt;br /&gt;racionais. Se houver porém concordância quanto a certas metas e&lt;br /&gt;valores, é possível discutir racionalmente os meios pelos quais esses&lt;br /&gt;objetivos podem ser atingidos. Indiquemos, portanto, duas metas com&lt;br /&gt;que certamente estarão de acordo quase todos os que lêem estas linhas.&lt;br /&gt;1. Os bens instrumentais que servem para preservar a vida e a saúde de&lt;br /&gt;todos os seres humanos devem ser produzidos mediante o menor&lt;br /&gt;esforço&lt;br /&gt;possível de todos.&lt;br /&gt;2. A satisfação de necessidades físicas é por certo a precondição&lt;br /&gt;indispensável de uma existência satisfatória, mas em si mesma não é&lt;br /&gt;suficiente. Para se realizar, os homens precisam ter também a&lt;br /&gt;possibilidade de desenvolver suas capacidades intelectuais artísticas&lt;br /&gt;sem limites restritivos, segundo suas características e aptidões&lt;br /&gt;pessoais.&lt;br /&gt;A primeira dessas duas metas exige a promoção de todo conhecimento&lt;br /&gt;referente às leis da natureza e dos processos sociais, isto é, a&lt;br /&gt;promoção de todo esforço científico. Pois o empreendimento&lt;br /&gt;científico&lt;br /&gt;é um todo natural, cujas partes se sustentam mutuamente de uma&lt;br /&gt;maneira&lt;br /&gt;que certamente ninguém pode prever.&lt;br /&gt;Entretanto, o progresso da ciência pressupõe a possibilidade de&lt;br /&gt;comunicação irrestrita de rodos os resultados e julgamentos -&lt;br /&gt;liberdade de expressão e ensino em todos os campos do esforço&lt;br /&gt;intelectual. Por liberdade, entendo condições sociais, tais que, a&lt;br /&gt;expressão de opiniões e afirmações sobre questões gerais e&lt;br /&gt;particulares do conhecimento não envolvam perigos ou graves&lt;br /&gt;desvantagens para seu autor. Essa liberdade de comunicação é&lt;br /&gt;indispensável para o desenvolvimento e a ampliação do conhecimento&lt;br /&gt;científico, aspecto de grande importância prática. Em primeiro lugar,&lt;br /&gt;ela deve ser assegurada por lei. Mas as leis por si mesmas não podem&lt;br /&gt;assegurar a liberdade de expressão; para que todo homem possa expor&lt;br /&gt;suas idéias sem ser punido, deve haver um espírito de tolerância em&lt;br /&gt;toda a população. Tal ideal de liberdade externa jamais poderá ser&lt;br /&gt;plenamente atingido, mas deve ser incansavelmente perseguido para&lt;br /&gt;que&lt;br /&gt;o pensamento científico e o pensamento filosófico, e criativo em&lt;br /&gt;geral, possam avançar tanto quanto possível.&lt;br /&gt;Para que a segunda meta, isto é, a possibilidade de desenvolvimento&lt;br /&gt;espiritual de todos os indivíduos, possa ser assegurada, é necessário&lt;br /&gt;um segundo tipo de liberdade externa. O homem não deve ser obrigado&lt;br /&gt;a&lt;br /&gt;trabalhar para suprir as necessidades da vida numa intensidade tal que&lt;br /&gt;não lhe restem tempo nem forças para as atividades pessoais. Sem este&lt;br /&gt;segundo tipo de liberdade externa, a liberdade de expressão é inútil&lt;br /&gt;para ele. Avanços na tecnologia tornariam possível esse tipo de&lt;br /&gt;liberdade, se o problema de uma divisão justa do trabalho fosse&lt;br /&gt;resolvido.&lt;br /&gt;O desenvolvimento da ciência e das atividades criativas do espírito em&lt;br /&gt;geral exige ainda outro tipo de liberdade, que pode ser caracterizado&lt;br /&gt;como liberdade interna. Trata-se daquela liberdade de espírito que&lt;br /&gt;consiste na independência do pensamento em face das restrições de&lt;br /&gt;preconceitos autoritários e sociais, bem como, da "rotinização" e do&lt;br /&gt;hábito irrefletidos em geral. Essa liberdade interna é um raro dom da&lt;br /&gt;natureza e uma valiosa meta para o indivíduo. No entanto, a&lt;br /&gt;comunidade&lt;br /&gt;pode fazer muito para favorecer essa conquista, pelo menos, deixando&lt;br /&gt;de interferir no desenvolvimento. As escolas, por exemplo, podem&lt;br /&gt;interferir no desenvolvimento da liberdade interna mediante&lt;br /&gt;influências autoritárias e a imposição de cargas espirituais aos&lt;br /&gt;jovens excessivas; por outro lado, as escolas podem favorecer essa&lt;br /&gt;liberdade, incentivando o pensamento independente. Só quando a&lt;br /&gt;liberdade externa e interna são constantes e conscienciosamente&lt;br /&gt;perseguidas há possibilidade de desenvolvimento e aperfeiçoamento&lt;br /&gt;espiritual e, portanto, de aprimorar a vida externa e interna do&lt;br /&gt;homem.&lt;br /&gt;Albert Einstein&lt;br /&gt;Ciência e Religião&lt;br /&gt;Parte I&lt;br /&gt;Durante o século passado e em parte do que o precedeu, a&lt;br /&gt;existência de um conflito insolúvel entre conhecimento e&lt;br /&gt;crença foi amplamente sustentada. Prevalecia entre mentes&lt;br /&gt;avançadas a opinião de que chegara a hora de substituir,&lt;br /&gt;cada vez mais, a crença pelo conhecimento; toda crença que&lt;br /&gt;não se fundasse ela própria em conhecimento era superstição&lt;br /&gt;e, como tal, devia ser combatida. Segundo essa concepção, a&lt;br /&gt;função exclusiva da educação seria abrir caminho para o&lt;br /&gt;pensamento e o conhecimento, devendo a escola, como o órgão&lt;br /&gt;por excelência para a educação do povo, servir&lt;br /&gt;exclusivamente a esse fim.&lt;br /&gt;É provável que raramente, ou mesmo nunca, possamos encontrar&lt;br /&gt;o ponto de vista racionalista expresso com tanta crueza;&lt;br /&gt;pois todo homem sensível veria de imediato o quanto essa&lt;br /&gt;formulação é tendenciosa. Mas é conveniente formular uma&lt;br /&gt;tese de maneira nua e crua quando se quer aclarar a própria&lt;br /&gt;mente com relação a sua natureza.&lt;br /&gt;É verdade que a experiência e o pensamento claro são a&lt;br /&gt;melhor maneira de fundamentar as convicções. Quanto a isto,&lt;br /&gt;podemos concordar irrestritamente com o racionalista&lt;br /&gt;extremado. O ponto fraco dessa concepção, contudo, e que as&lt;br /&gt;convicções necessárias e determinantes para nossa conduta e&lt;br /&gt;nossos juízos não podem ser encontradas unicamente nessa&lt;br /&gt;sólida via cientifica.&lt;br /&gt;Pois o método cientifico não nos pode ensinar outra coisa&lt;br /&gt;além do modo como os fatos se relacionam e são condicionados&lt;br /&gt;uns pelos outros. A aspiração a esse conhecimento objetivo&lt;br /&gt;está entre as mais elevadas de que o homem e capaz, e&lt;br /&gt;certamente ninguém pode suspeitar que eu deseje subestimar&lt;br /&gt;as realizações e os heróicos esforços do homem nessa esfera.&lt;br /&gt;É igualmente claro, no entanto, que o conhecimento do que é,&lt;br /&gt;não abre diretamente a porta para o que deve ser. Podemos&lt;br /&gt;ter o mais claro e completo conhecimento do que é, sem&lt;br /&gt;contudo sermos capazes de deduzir disso qual deveria ser a&lt;br /&gt;meta de nossas aspirações humanas. O conhecimento objetivo&lt;br /&gt;nos fornece poderosos instrumentos para atingir certos fins,&lt;br /&gt;mas a meta final em si é a mesma, e o desejo de atingi-la&lt;br /&gt;devem emanar de outra fonte. E é praticamente desnecessário&lt;br /&gt;defender a idéia de que nossa existência e nossa atividade&lt;br /&gt;só adquirem 'sentido' mediante o estabelecimento de uma meta&lt;br /&gt;como essa e dos valores correspondentes. O conhecimento da&lt;br /&gt;verdade como tal é maravilhoso, mas é tão pouco capaz de&lt;br /&gt;servir de guia que não consegue provar sequer a justificação&lt;br /&gt;e o valor da aspiração a esse mesmo conhecimento da verdade.&lt;br /&gt;Aqui defrontamos, portanto, com os limites da concepção&lt;br /&gt;puramente racional de nossa existência.&lt;br /&gt;Mas não se deve presumir que o pensamento inteligente não&lt;br /&gt;possa desempenhar nenhum papel na formação da meta e de&lt;br /&gt;juízos éticos. Quando alguém se dá conta de que certo meio&lt;br /&gt;seria útil para a consecução de um fim, isto faz com que o&lt;br /&gt;próprio meio se torne um fim. A inteligência elucida para&lt;br /&gt;nós a inter-relação entre meios e fins. O mero pensamento&lt;br /&gt;não pode, contudo, nos dar uma consciência dos fins últimos&lt;br /&gt;e fundamentais. Elucidar esses fins e valores fundamentais é&lt;br /&gt;engastá-los firmemente na vida emocional do indivíduo;&lt;br /&gt;parece-me, precisamente, a mais importante função que a&lt;br /&gt;religião tem a desempenhar na vida social do homem. E se&lt;br /&gt;alguém pergunta de onde provém a autoridade desses fins&lt;br /&gt;fundamentais, já que eles não podem ser formulados e&lt;br /&gt;justificados puramente pela razão, só há uma resposta: eles&lt;br /&gt;existem numa sociedade saudável na forma de tradições&lt;br /&gt;vigorosas, que agem sobre a conduta, as aspirações e os&lt;br /&gt;juízos dos indivíduos; eles existem, isto é, vivem dentro&lt;br /&gt;dela, sem que seja preciso encontrar justificação para sua&lt;br /&gt;existência. Nascem, não através da demonstração, mas da&lt;br /&gt;revelação, por meio de personalidades excepcionais. Não se&lt;br /&gt;deve tentar justificá-los, mas antes, sentir, simples e&lt;br /&gt;claramente, sua natureza. Os mais elevados princípios para&lt;br /&gt;nossas aspirações e juízos nos são dados pela tradição&lt;br /&gt;religiosa judáico-cristã. Trata-se de uma meta muito&lt;br /&gt;elevada, que, com nossos parcos poderes, só podemos atingir&lt;br /&gt;de maneira muito insatisfatória, mas que da um sólido&lt;br /&gt;fundamento a nossas aspirações e avaliações. Se quiséssemos&lt;br /&gt;tirar essa meta de sua forma religiosa e considerar apenas&lt;br /&gt;seu aspecto puramente humano, talvez pudéssemos formulá-la&lt;br /&gt;assim: desenvolvimento livre e responsável do indivíduo, de&lt;br /&gt;modo que ele possa por suas capacidades, com liberdade e&lt;br /&gt;alegria a serviço de toda a humanidade.&lt;br /&gt;Não há lugar nisso para a divinização de uma nação, de uma&lt;br /&gt;classe, nem muito menos de um indivíduo. Não somos todos&lt;br /&gt;filhos de um só pai, como se diz na linguagem religiosa? Na&lt;br /&gt;verdade, mesmo a divinização da humanidade, como totalidade&lt;br /&gt;abstrata, não estaria no espírito desse ideal. E somente ao&lt;br /&gt;indivíduo que é dada uma alma. E o 'sublime' destino do&lt;br /&gt;indivíduo é antes servir que comandar, ou impor-se de&lt;br /&gt;qualquer outra maneira.&lt;br /&gt;Se considerarmos mais a substância que a forma, poderemos&lt;br /&gt;ver também nestas palavras a expressão da postura&lt;br /&gt;democrática fundamental. Ao verdadeiro democrata e tão&lt;br /&gt;inviável idolatrar sua nação quanto ao homem religioso, no&lt;br /&gt;sentido que damos ao termo.&lt;br /&gt;Qual será então, em tudo isto, a função da educação e da&lt;br /&gt;escola? Elas devem ajudar o jovem a crescer num espírito tal&lt;br /&gt;que esses princípios fundamentais sejam para ele como o ar&lt;br /&gt;que respira. O mero ensino não pode fazer isso.&lt;br /&gt;Se mantemos esses princípios elevados claramente diante de&lt;br /&gt;nossos olhos, e os comparamos com a vida e o espírito de&lt;br /&gt;nosso tempo, revela-se flagrantemente que a própria&lt;br /&gt;humanidade civilizada encontra-se, neste momento, em grave&lt;br /&gt;perigo. Nos Estados totalitários, são os próprios&lt;br /&gt;governantes que se empenham hoje em destruir esse espírito&lt;br /&gt;de humanidade. Em lugares menos ameaçados, são o&lt;br /&gt;nacionalismo e a intolerância, bem com a opressão dos&lt;br /&gt;indivíduos por meios econômicos, que ameaçam sufocar essas&lt;br /&gt;tão preciosas tradições.&lt;br /&gt;A clareza da enormidade do perigo está se difundindo, no&lt;br /&gt;entanto, entre as pessoas que pensam, e há uma grande&lt;br /&gt;procura de meios que permitam enfrentar o perigo - meios no&lt;br /&gt;campo da política nacional e internacional, da legislação,&lt;br /&gt;da organização em geral. Esses esforços são, sem dúvida,&lt;br /&gt;extremamente necessários. Contudo, os antigos sabiam algo&lt;br /&gt;que parecemos ter esquecido. "Todos os meios mostram-se um&lt;br /&gt;instrumento grosseiro quando não tem atrás de si um espírito&lt;br /&gt;vivo". Se o desejo de alcançar a meta estiver vigorosamente&lt;br /&gt;vivo dentro de nós, porém, não nos faltarão forças para&lt;br /&gt;encontrar os meios de alcançar a meta e traduzi-la em atos.&lt;br /&gt;Parte II&lt;br /&gt;Não seria difícil chegar a um acordo quanto ao que&lt;br /&gt;entendemos por ciência. Ciência é o esforço secular de&lt;br /&gt;reunir, através do pensamento sistemático, os fenômenos&lt;br /&gt;perceptíveis deste mundo, numa associação tão completa&lt;br /&gt;quanto possível. Falando claramente, é a tentativa de&lt;br /&gt;reconstrução posterior da existência pelo processo da&lt;br /&gt;conceituação. Mas, quando pergunto a mim mesmo o que é a&lt;br /&gt;religião, a resposta não me ocorre tão facilmente. E, mesmo&lt;br /&gt;depois de encontrar uma resposta que possa me satisfazer num&lt;br /&gt;momento particular, continuo convencido de que nunca&lt;br /&gt;consigo, em nenhuma circunstância, criar um acordo, mesmo&lt;br /&gt;que muito limitado, entre todos os que refletem seriamente&lt;br /&gt;sobre essa questão.&lt;br /&gt;De início, portanto, em vez de perguntar o que é religião,&lt;br /&gt;eu preferiria indagar o que caracteriza as aspirações de uma&lt;br /&gt;pessoa que me dá a impressão de ser religiosa: uma pessoa&lt;br /&gt;religiosamente esclarecida parece-me ser aquela que, tanto&lt;br /&gt;quanto lhe foi possível, libertou-se dos grilhões, de seus&lt;br /&gt;desejos egoístas e está preocupada com pensamentos,&lt;br /&gt;sentimentos e aspirações a que se apega em razão de seu&lt;br /&gt;valor suprapessoal. Parece-me que o que importa é a força&lt;br /&gt;desse conteúdo suprapessoal, e a profundidade da convicção&lt;br /&gt;na superioridade de seu significado, quer se faça ou não&lt;br /&gt;alguma tentativa de unir esse conteúdo com um Ser divino,&lt;br /&gt;pois, de outro modo, não poderíamos considerar Buda e&lt;br /&gt;Spinoza como personalidades religiosas. Assim, uma pessoa&lt;br /&gt;religiosa é devota no sentido de não ter nenhuma dúvida&lt;br /&gt;quanto ao valor e eminência dos objetivos e metas&lt;br /&gt;suprapessoais que não exigem nem admitem fundamentação&lt;br /&gt;racional. Eles existem, tão necessária e corriqueiramente&lt;br /&gt;quanto ela própria. Nesse sentido, a religião é o&lt;br /&gt;antiquíssimo esforço da humanidade para atingir uma clara e&lt;br /&gt;completa consciência desses valores e metas e reforçar e&lt;br /&gt;ampliar incessantemente seu efeito. Quando concebemos a&lt;br /&gt;religião e a ciência segundo estas definições, um conflito&lt;br /&gt;entre elas parece impossível. Pois a ciência pode apenas&lt;br /&gt;determinar o que é, não o que deve ser, está fora de seu&lt;br /&gt;domínio, todos os tipos de juízos de valor continuam sendo&lt;br /&gt;necessários. A religião, por outro lado, lida somente com&lt;br /&gt;avaliações do pensamento e da ação humanos: não lhe é lícito&lt;br /&gt;falar de fatos e das relações entre os fatos. Segundo esta&lt;br /&gt;interpretação, os famosos conflitos ocorridos entre religião&lt;br /&gt;e ciência no passado devem ser todos atribuídos a uma&lt;br /&gt;apreensão equivocada da situação descrita.&lt;br /&gt;Um conflito surge, por exemplo, quando uma comunidade&lt;br /&gt;religiosa insiste na absoluta veracidade de todos os relatos&lt;br /&gt;registrados na Bíblia. Isso significa uma intervenção da&lt;br /&gt;religião na esfera da ciência; é aí que se insere a luta da&lt;br /&gt;Igreja contra as doutrinas de Galileu e Darwin. Por outro&lt;br /&gt;lado, representantes da ciência tem constantemente tentado&lt;br /&gt;chegar a juízos fundamentais com respeito a valores e fins&lt;br /&gt;com base no método científico, pondo-se assim em oposição a&lt;br /&gt;religião. Todos esses conflitos nasceram de erros fatais.&lt;br /&gt;Ora, ainda que os âmbitos da religião e da ciência sejam em&lt;br /&gt;si claramente separados um do outro, existem entre os dois&lt;br /&gt;fortes relações recíprocas e dependências. Embora possa ser&lt;br /&gt;ela o que determina a meta, a religião aprendeu com a&lt;br /&gt;ciência, no sentido mais amplo, que meios poderão contribuir&lt;br /&gt;para que se alcancem as metas que ela estabeleceu. A&lt;br /&gt;ciência, porém, só pode ser criada por quem esteja&lt;br /&gt;plenamente imbuído da aspiração e verdade, e ao&lt;br /&gt;entendimento. A fonte desse sentimento, no entanto, brota na&lt;br /&gt;esfera da religião. A esta se liga também a fé na&lt;br /&gt;possibilidade de que as regulações válidas para o mundo da&lt;br /&gt;existência sejam racionais, isto é, compreensíveis à razão.&lt;br /&gt;Não posso conceber um autêntico cientista sem essa fé&lt;br /&gt;profunda. A situação pode ser expressa por uma imagem: a&lt;br /&gt;ciência sem religião e aleijada, a religião sem ciência e&lt;br /&gt;cega.&lt;br /&gt;Embora eu tenha afirmado acima que um conflito legítimo&lt;br /&gt;entre religião e ciência não pode existir verdadeiramente,&lt;br /&gt;devo fazer uma ressalva a esta afirmação, mais uma vez, num&lt;br /&gt;ponto essencial, com referencia ao conteúdo efetivo das&lt;br /&gt;religiões históricas. Esta ressalva tem a ver com o conceito&lt;br /&gt;de Deus. Durante o período juvenil da evolução espiritual da&lt;br /&gt;humanidade, a fantasia humana criou a sua própria imagem&lt;br /&gt;'deuses' que, por seus atos de vontade, supostamente&lt;br /&gt;determinariam ou, pelo menos, influenciariam o mundo&lt;br /&gt;fenomênico. O homem procurava alterar a disposição desses&lt;br /&gt;deuses a seu próprio favor, por meio da magia e da prece. A&lt;br /&gt;idéia de Deus, nas religiões ensinadas atualmente, é uma&lt;br /&gt;sublimação dessa antiga concepção dos deuses. Seu caráter&lt;br /&gt;antropomórfico se revela, por exemplo, no fato de os homens&lt;br /&gt;recorrerem ao Ser Divino em preces, a suplicarem a&lt;br /&gt;realização de seus desejos.&lt;br /&gt;Certamente, ninguém negará que a idéia da existência de um&lt;br /&gt;Deus pessoal, onipotente, justo e todo-misericordioso é&lt;br /&gt;capaz de dar ao homem consolo, ajuda e orientação; e também,&lt;br /&gt;em virtude de sua simplicidade, acessível as mentes menos&lt;br /&gt;desenvolvidas. Por outro lado, porem, esta idéia traz em si&lt;br /&gt;aspectos vulneráveis e decisivos, que se fizeram sentir&lt;br /&gt;penosamente desde o início da história. Ou seja, se esse ser&lt;br /&gt;é onipotente, então tudo o que acontece, aí incluídos cada&lt;br /&gt;ação, cada pensamento, cada sentimento e aspiração do homem,&lt;br /&gt;é também obra Sua; nesse caso, como é possível pensar em&lt;br /&gt;responsabilizar o homem por seus atos e pensamentos perante&lt;br /&gt;esse Ser 'todo-poderoso'? Ao distribuir punições e&lt;br /&gt;recompensas, Ele estaria, até certo ponto, julgando a Si&lt;br /&gt;mesmo. Como conciliar isso com a bondade e a justiça a Ele&lt;br /&gt;atribuídas?&lt;br /&gt;A principal fonte dos conflitos atuais entre as esferas da&lt;br /&gt;religião e da ciência reside nesse conceito de um Deus&lt;br /&gt;pessoal. A ciência tem por objetivo estabelecer regras&lt;br /&gt;gerais que determinem a conexão recíproca de objetos e&lt;br /&gt;eventos no tempo e no espaço. A validade absolutamente geral&lt;br /&gt;dessas regras, ou leis da natureza, e algo que se pretende -&lt;br /&gt;mas não se prova. Trata-se sobretudo de um projeto, e a&lt;br /&gt;confiança na possibilidade de sua realização, por princípio,&lt;br /&gt;funda-se apenas em sucessos parciais. Seria difícil, porém,&lt;br /&gt;encontrar alguém que negasse esses sucessos parciais e os&lt;br /&gt;atribuísse a ilusão humana. O fato de sermos capazes, com&lt;br /&gt;base nessas leis, de predizer o comportamento temporal dos&lt;br /&gt;fenômenos de certos domínios, com grande precisão e certeza,&lt;br /&gt;está profundamente enraizado na consciência do homem&lt;br /&gt;moderno, ainda que possamos ter apreendido muito pouco do&lt;br /&gt;conteúdo dessas leis. Basta considerarmos que as trajetórias&lt;br /&gt;planetárias do sistema solar podem ser antecipadamente&lt;br /&gt;calculadas, com grande exatidão, com base num número&lt;br /&gt;limitado de leis simples. De maneira similar, embora não com&lt;br /&gt;a mesma precisão, é possível calcular antecipadamente o modo&lt;br /&gt;de funcionamento de um motor elétrico, de um sistema de&lt;br /&gt;transmissão ou de um aparelho de rádio, mesmo quando estamos&lt;br /&gt;lidando com uma invenção inédita.&lt;br /&gt;É bem verdade que, quando o número de fatores em jogo num&lt;br /&gt;complexo fenomenólogico é grande demais, o método científico&lt;br /&gt;nos decepciona na maioria dos casos. Basta pensarmos nas&lt;br /&gt;condições do tempo, cuja previsão, mesmo para alguns dias à&lt;br /&gt;frente, é impossível. Ninguém duvida, contudo, de que&lt;br /&gt;estamos diante de uma conexão causal cujos componentes&lt;br /&gt;causais nos são essencialmente conhecidos. As ocorrências&lt;br /&gt;nessa esfera estão fora do alcance da predição exata por&lt;br /&gt;causa da multiplicidade de fatores em ação, e não por alguma&lt;br /&gt;falta de ordem na natureza.&lt;br /&gt;Penetramos muito menos profundamente nas regularidades que&lt;br /&gt;prevalecem no âmbito das coisas vivas, mas o suficiente, de&lt;br /&gt;todo modo, para pelo menos perceber a existência de uma&lt;br /&gt;regra necessária. Basta pensarmos na ordem sistemática&lt;br /&gt;presente na hereditariedade e no efeito que provocam os&lt;br /&gt;venenos - como o álcool, por exemplo - no comportamento dos&lt;br /&gt;seres orgânicos. O que ainda falta aqui é uma compreensão de&lt;br /&gt;caráter profundamente geral das conexões, não um&lt;br /&gt;conhecimento da ordem enquanto tal.&lt;br /&gt;Quanto mais o homem esta imbuído da regularidade ordenada de&lt;br /&gt;todos os eventos, mais firme se torna sua convicção de que&lt;br /&gt;não sobra lugar, ao lado dessa regularidade ordenada, para&lt;br /&gt;causas de natureza diferente. Para ele, nem o domínio da&lt;br /&gt;vontade humana, nem o da vontade divina existirão como causa&lt;br /&gt;independente dos eventos naturais. Não há dúvida de que a&lt;br /&gt;doutrina de um Deus pessoal que interfere nos eventos&lt;br /&gt;naturais jamais poderia ser refratada, no sentido&lt;br /&gt;verdadeiro, pela ciência, pois essa doutrina pode sempre&lt;br /&gt;procurar refúgio nos campos em que o conhecimento científico&lt;br /&gt;ainda não foi capaz de se firmar. Estou convencido, porém,&lt;br /&gt;de que tal comportamento por parte dos representantes da&lt;br /&gt;religião seria não só indigno como desastroso. Pois uma&lt;br /&gt;doutrina que não é capaz de se sustentar à "plena luz", mas&lt;br /&gt;apenas na escuridão, está fadada a perder sua influência&lt;br /&gt;sobre a humanidade, com incalculável prejuízo para o&lt;br /&gt;progresso humano. Em sua luta pelo bem ético, os professores&lt;br /&gt;de religião precisam ter a envergadura para abrir mão da&lt;br /&gt;doutrina de um Deus pessoal, isto é, renunciar a fonte de&lt;br /&gt;medo e esperança que, no passado, concentrou um poder tão&lt;br /&gt;amplo nas mãos dos sacerdotes. Em seu ofício, terão de se&lt;br /&gt;valer daqueles forças que são capazes de cultivar o Bom, o&lt;br /&gt;Verdadeiro e o Belo na própria humanidade. Trata-se, sem&lt;br /&gt;dúvida, de uma tarefa mais difícil, mas incomparavelmente&lt;br /&gt;mais valiosa. Quando tiverem realizado esse processo de&lt;br /&gt;depuração, os professores da religião certamente hão de&lt;br /&gt;reconhecer com alegria que a verdadeira religião ficou&lt;br /&gt;enobrecida e mais profunda graças ao conhecimento&lt;br /&gt;científico.&lt;br /&gt;Se um dos objetivos da religião é libertar a humanidade,&lt;br /&gt;tanto quanto possível, da servidão dos anseios, desejos e&lt;br /&gt;temores egocêntricos, o raciocínio científico pode ajudar a&lt;br /&gt;religião em mais um sentido. Embora seja verdade que a meta&lt;br /&gt;da ciência é descobrir regras que permitam associar e prever&lt;br /&gt;os fatos, essa não é sua única finalidade. Ela procura&lt;br /&gt;também reduzir as conexões descobertas ao menor número&lt;br /&gt;possível de elementos conceituais mutuamente independentes.&lt;br /&gt;E nessa busca da unificação racional do múltiplo que a&lt;br /&gt;ciência logra seus maiores êxitos, embora seja precisamente&lt;br /&gt;essa tentativa que a faz correr os maiores riscos de se&lt;br /&gt;tornar uma presa das ilusões. Mas todo aquele que&lt;br /&gt;experimentou intensamente os avanços bem-sucedidos feitos&lt;br /&gt;nesse domínio é movido por uma profunda reverência pela&lt;br /&gt;racionalidade que se manifesta na existência. Através da&lt;br /&gt;compreensão, ele conquista uma emancipação de amplas&lt;br /&gt;conseqüências dos grilhões das esperanças e desejos&lt;br /&gt;pessoais, atingindo assim uma atitude mental de humildade&lt;br /&gt;perante a grandeza da razão que se encarna na existência e&lt;br /&gt;que, em seus recônditos mais profundos, é inacessível ao&lt;br /&gt;homem. Essa atitude, contudo, parece-me ser religiosa, no&lt;br /&gt;mais elevado sentido da palavra. A meu ver, portanto, a&lt;br /&gt;ciência não só purifica o impulso religioso do entulho de&lt;br /&gt;seu antropomorfismo, como contribui para uma&lt;br /&gt;'espiritualização' religiosa de nossa compreensão da vida.&lt;br /&gt;Quanto mais avança a evolução espiritual da humanidade, mais&lt;br /&gt;certo me parece que o caminho para a religiosidade genuína&lt;br /&gt;não passa pelo medo da vida, nem pelo medo da morte, ou pela&lt;br /&gt;fé cega, mas pelo esforço em busca do conhecimento racional.&lt;br /&gt;Neste sentido, acredito que o sacerdote, se quiser fazer jus&lt;br /&gt;a sua 'sublime' missão educacional, deve tornar-se um&lt;br /&gt;professor."&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3424033135505399754-3422506961199735334?l=poesiaescritaemgasolina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poesiaescritaemgasolina.blogspot.com/feeds/3422506961199735334/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://poesiaescritaemgasolina.blogspot.com/2009/11/sobre-liberdade.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3424033135505399754/posts/default/3422506961199735334'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3424033135505399754/posts/default/3422506961199735334'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poesiaescritaemgasolina.blogspot.com/2009/11/sobre-liberdade.html' title='Sobre a liberdade'/><author><name>Chileno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02966781458294485252</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_MueYRaJPnRE/Sc3_D3hKMKI/AAAAAAAAAAM/TOmelzq-2lk/S220/Recreacion_artistica_hombre_Neandertal.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3424033135505399754.post-1291377005818834522</id><published>2009-05-09T18:05:00.000-07:00</published><updated>2009-05-09T19:48:58.509-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;embed id="VideoPlayback" src="http://video.google.com/googleplayer.swf?docid=992799457909469455&amp;hl=pt-BR&amp;fs=true" style="width:400px;height:326px" allowFullScreen="true" allowScriptAccess="always" type="application/x-shockwave-flash"&gt; &lt;/embed&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3424033135505399754-1291377005818834522?l=poesiaescritaemgasolina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poesiaescritaemgasolina.blogspot.com/feeds/1291377005818834522/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://poesiaescritaemgasolina.blogspot.com/2009/05/blog-post.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3424033135505399754/posts/default/1291377005818834522'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3424033135505399754/posts/default/1291377005818834522'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poesiaescritaemgasolina.blogspot.com/2009/05/blog-post.html' title=''/><author><name>Chileno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02966781458294485252</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_MueYRaJPnRE/Sc3_D3hKMKI/AAAAAAAAAAM/TOmelzq-2lk/S220/Recreacion_artistica_hombre_Neandertal.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3424033135505399754.post-4903914795828640181</id><published>2009-05-04T13:21:00.000-07:00</published><updated>2009-05-04T13:23:40.090-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/IicU8n29HWI&amp;hl=pt-br&amp;fs=1"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/IicU8n29HWI&amp;hl=pt-br&amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Imposible es rescatar. volver a vivir ciertos momentos si por un desengaño juntaste mucha bronca y si por&lt;br /&gt;un desengaño juntaste mucha rabia. pero vamos que nada es para tanto y tanto no lo es todo ante todo con&lt;br /&gt;firmeza. mantiene tu espiritu con humor. vence tus tabues, deja atras tu timidez si en verdad lo nesesitas. ve a&lt;br /&gt;buscar lo que te gusta. no te engañes. no te mientas, que nada es para tanto y tanto no lo es todo ante todo y&lt;br /&gt;con firmeza mantiene tu espiritu con humor. "&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/Lyo4cDI82Fk&amp;hl=pt-br&amp;fs=1"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/Lyo4cDI82Fk&amp;hl=pt-br&amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3424033135505399754-4903914795828640181?l=poesiaescritaemgasolina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poesiaescritaemgasolina.blogspot.com/feeds/4903914795828640181/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://poesiaescritaemgasolina.blogspot.com/2009/05/imposible-es-rescatar.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3424033135505399754/posts/default/4903914795828640181'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3424033135505399754/posts/default/4903914795828640181'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poesiaescritaemgasolina.blogspot.com/2009/05/imposible-es-rescatar.html' title=''/><author><name>Chileno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02966781458294485252</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_MueYRaJPnRE/Sc3_D3hKMKI/AAAAAAAAAAM/TOmelzq-2lk/S220/Recreacion_artistica_hombre_Neandertal.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3424033135505399754.post-1187548524338527212</id><published>2009-04-20T16:14:00.000-07:00</published><updated>2009-04-20T16:33:24.884-07:00</updated><title type='text'>Ouça agora "EUFORIA"</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_MueYRaJPnRE/Se0Eu7PA9LI/AAAAAAAAACA/cMhrzOWdFeQ/s1600-h/3444249426_a98ce29db7.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 214px; height: 320px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_MueYRaJPnRE/Se0Eu7PA9LI/AAAAAAAAACA/cMhrzOWdFeQ/s320/3444249426_a98ce29db7.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5326919138470327474" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse é o Lebra. Ele gravou um cd com algumas músicas das histórias da vida dele. Músicas da época do Calabresas Picantes, Vettoratos e La vida. Agora em formato solo. Voz e violão. Sem esquecer que esse cd conta com a participação de Vini(batera da finada Vettoratos, vocal da banda Plátano e atual baterista da banda Endine), nos vocais e creio eu que em alguns arranjos de viola também.&lt;br /&gt;Eu tive a honra de gravar uma música com o Lebra e mais honrado me sinto de essa música ser a faixa título do cd e ser a primeira disponibilizada na internet. Fiz também o release desse projeto solo e mais uma vez me sinto além de honrado, orgulhoso.&lt;br /&gt;Sou o maior fã desse alemão maluco cheio de personalidade e não nego isso pra ninguém.&lt;br /&gt;Portante ouçam pq esse cd fala direto com o coração. Não sei se é por que eu conheço ele e entendo exatamente cada vírgula do que ele ta querendo dizer nas músicas, mas esse cd me emociona SEMPRE que o ouço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Links pertinentes:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lebra:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;http://www.fotolog.com.br/lebra&lt;br /&gt;http://www.myspace.com/lebravettorato&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Le Fabre(Foto):&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;http://www.fotolog.com.br/leandrofabre&lt;br /&gt;http://flickr.com/leandrofabre&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vini:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;http://www.myspace.com/bandaplatano&lt;br /&gt;http://fotolog.com.br/endine&lt;br /&gt;___&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E aqui, quero deixar um abraço para o menino que veio falar comigo no domingo, em frente ao Revolution Pub, dizendo que volta e meia dá uma passada aqui para ler o que eu escrevo. Cara, me perdoa infinito por não lembrar do teu nome. Minha memória nunca foi a minha melhor qualidade. haha&lt;br /&gt;Desculpa e ao mesmo tempo obrigado pelo tempo desprendido para dar uma passada aqui. Apesar de não escrever por alguma razão que me talvez venha a me engrandecer de alguma maneira, eu me sinto muito feliz por fazer parte de alguns minutos de reflexão pessoal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Grande abraço.&lt;br /&gt;___&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jah bless&lt;br /&gt;Namastê&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3424033135505399754-1187548524338527212?l=poesiaescritaemgasolina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poesiaescritaemgasolina.blogspot.com/feeds/1187548524338527212/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://poesiaescritaemgasolina.blogspot.com/2009/04/ouca-agora-euforia.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3424033135505399754/posts/default/1187548524338527212'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3424033135505399754/posts/default/1187548524338527212'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poesiaescritaemgasolina.blogspot.com/2009/04/ouca-agora-euforia.html' title='Ouça agora &quot;EUFORIA&quot;'/><author><name>Chileno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02966781458294485252</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_MueYRaJPnRE/Sc3_D3hKMKI/AAAAAAAAAAM/TOmelzq-2lk/S220/Recreacion_artistica_hombre_Neandertal.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_MueYRaJPnRE/Se0Eu7PA9LI/AAAAAAAAACA/cMhrzOWdFeQ/s72-c/3444249426_a98ce29db7.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3424033135505399754.post-1644618811030899433</id><published>2009-04-02T05:18:00.000-07:00</published><updated>2009-04-02T07:21:24.219-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_MueYRaJPnRE/SdTH9BvxzSI/AAAAAAAAAB4/MHfgMX5QcOU/s1600-h/leonar.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 320px; height: 223px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_MueYRaJPnRE/SdTH9BvxzSI/AAAAAAAAAB4/MHfgMX5QcOU/s320/leonar.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5320096911086177570" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Fantasma - Lebra&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;  &lt;span style="font-style: italic;"&gt;"Não tente me mostrar que está tão feliz assim.&lt;/span&gt; &lt;span style="font-style: italic;"&gt;É tudo errado aqui. Minha vida e a de ti.&lt;/span&gt; &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Não tente se apressar pra um dia ser feliz&lt;/span&gt; &lt;span style="font-style: italic;"&gt;É o que queremos. Sei, mas não é bem assim.&lt;/span&gt; &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Não vá se perder nem se prender aí.&lt;/span&gt;  &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Na escuridão dos teus dois olhos vi o início dessa loucura. &lt;/span&gt; &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Já faz tanto tempo que eu vi a lua sobre ti.&lt;/span&gt; &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Tranquei a porta pra não ter que me esconder dessas coisas que assustam todos.&lt;/span&gt;  &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Não vá se perder nem se prender aí.&lt;/span&gt;"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa tarde fui acompanhar a sessão de fotos de divulgação para o debut-cd do Lebra. Fomos para a praticamente nossa, praça Pôr-do-sol. Em uma quarta-feira melancólica, como só uma quarta-feira pode ser. Nublada, fria e cinza como um típico dia de outono(que parece, finalmente, ter chego). Bucólico e suave. Vi folhas amarelas caídas, cobrindo a grama cinza-verde-seca. Vi artistas, aspirantes e expectadores. De assalto fui tomado. De leve ao pesado se foi.&lt;br /&gt;E o que esperar além do eco que passa sobre os abismos por nós criados? Vivi tempos de pontes e até mesmo tempos em que abismos não haviam. Aos poucos vamos nos distanciando de antigas concepções e indagações. Jogamo-as no lixo tão rápido quanto quando as tomamos para nós. Vejo sombra sobre as cabeças e não distinguo dedos apontados de mãos estendidas. Paranóia. Alteração do DNA. Muitas horas-vídeo de "deusmihifortis' [ http://www.youtube.com/user/deusmihifortis ] . "A verdade liberta você". E fode com tua cabeça, diz as entrelinhas. Pretendo deixar de pretender e prometo não prometer mais nada. Sou ser-humano. Passível de erro, como todos os outros. Pronto para ser novamente impressionado por qualquer tipo de novidade. E não é mais tão fácil relaxar.&lt;br /&gt;Quero viver 3 minutos de cada vez.&lt;br /&gt;A audição se perdendo com o tempo, enquanto as frequências me inundam. Você quer liberdade? Você paga por isso. Quer sentimento? Ele vem em formato mp3 e é de graça. Assim como quando uso a grama verde, ligo meu mp3 player e respiro um mundo diferente. Os olhos são a janela da alma. De óculos e fones de ouvido, me sinto qual um figurante. Não os ouço, eles não sabem o que vejo. E assim é minha vida. Alheio ou não, o que me inspira é a energia desprendida e amplificada pela vibração das cordas de aço e peles porosoas, vivas ou não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/gB3vcjoiP3Q&amp;hl=pt-br&amp;fs=1"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/gB3vcjoiP3Q&amp;hl=pt-br&amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sou eu, esse aí fora. Em conflito com os princípios hippies. O rasta da periferia. O frustrado baixa-estima que há tempos emudeceu. "Me dê motivos pra sonhar ou deixe-me só pra pensar como seria bom se fôssemos livres de verdade".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se me tiram a música, enterrem-me vivo, pois minha alma já terá sublimado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/4GFo_0D7qNs&amp;hl=pt-br&amp;fs=1"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/4GFo_0D7qNs&amp;hl=pt-br&amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quero viver 3 minutos de cada vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;"Quando viaja a voz, que sem a boca continua, sabe calar a palavra quando já não encontra. O momento que a necessita, nem o lugar que a quer? E a boca sabe morrer? Tornei-me mudo porque você nada me fala. As palavras que deixamos escapar, onde estarão? Meu (e seu) silêncio acabará me convencendo... Se respirar, vai se contaminar. Se pensar, vai ter angústia. Se duvidar, vai ter loucura. Se sentir, vai ter solidão. Se perguntar, vai ter medo. E quando pensava ter todas as respostas, mudaram as perguntas. O medo do silêncio atordoa as ruas. E as vozes sem boca me obrigam a escutar o que dizem em meu nome. E o medo continua sendo nosso pior conselheiro. Tornei-me cego, você não me olha. Tornei-me esquecido porque você não me recorda. Não lembra mais! Rumo ao porto, ou ao naufrágio, que nos espera esta noite. Não lembra mais! Apenas em quanto pode ser desbotado o vermelho de nosso sangue. E quanto rouco e silencioso pode ser o nosso grito? &lt;/span&gt;"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bendito em seus olhos, maldito em sua boca - Colligere&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/E41DVQp5dSU&amp;amp;hl=pt-br&amp;amp;fs=1"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/E41DVQp5dSU&amp;amp;hl=pt-br&amp;amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3424033135505399754-1644618811030899433?l=poesiaescritaemgasolina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poesiaescritaemgasolina.blogspot.com/feeds/1644618811030899433/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://poesiaescritaemgasolina.blogspot.com/2009/04/fantasma-lebra-nao-tente-me-mostrar-que.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3424033135505399754/posts/default/1644618811030899433'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3424033135505399754/posts/default/1644618811030899433'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poesiaescritaemgasolina.blogspot.com/2009/04/fantasma-lebra-nao-tente-me-mostrar-que.html' title=''/><author><name>Chileno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02966781458294485252</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_MueYRaJPnRE/Sc3_D3hKMKI/AAAAAAAAAAM/TOmelzq-2lk/S220/Recreacion_artistica_hombre_Neandertal.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_MueYRaJPnRE/SdTH9BvxzSI/AAAAAAAAAB4/MHfgMX5QcOU/s72-c/leonar.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3424033135505399754.post-3206387036256408498</id><published>2009-03-29T09:50:00.000-07:00</published><updated>2009-03-29T11:06:02.889-07:00</updated><title type='text'>Então me diz, onde quero chegar com todas essas frases e acordes que não passam de maiores?</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_MueYRaJPnRE/Sc-0XK6NXxI/AAAAAAAAABo/Km7xClxJj1I/s1600-h/behindcamera.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 320px; height: 194px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_MueYRaJPnRE/Sc-0XK6NXxI/AAAAAAAAABo/Km7xClxJj1I/s320/behindcamera.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5318667995106336530" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_0"&gt;Andrei&lt;/span&gt; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_1"&gt;Tarkovsky&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;"A arte não raciocina em termos lógicos, nem formula uma&lt;br /&gt;lógica do comportamento; ela expressa o seu próprio postulado&lt;br /&gt;de fé. Se, na ciência, é possível confirmar a veracidade&lt;br /&gt;dos argumentos e comprová-los logicamente aos que a eles&lt;br /&gt;se opõem, na arte é impossível convencer qualquer pessoa&lt;br /&gt;de que você está certo, caso as imagens criadas a tenham&lt;br /&gt;deixado indiferente e não tenham sido capazes de convencê-la&lt;br /&gt;a aceitar uma verdade &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_2"&gt;recém&lt;/span&gt;-descoberta sobre o mundo e&lt;br /&gt;o homem, se, na verdade, a pessoa ficou apenas &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_3"&gt;entediada&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;ao deparar-se com a obra."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E ontem fomos para a praça pôr-do-sol, como de praxe. Saindo das linhas, dessa vez decidi levar lápis de cor, giz de cera, folhas em branco e um caderno em branco para criar uma nova possibilidade de entretenimento. Surpreso, me vejo sentado ao lado das folhas brancas ainda em branco enquanto vamos traçando um desenho em conjunto(como de praxe) em um tronco de árvore cortado. Desenho livre, por assim dizer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_MueYRaJPnRE/Sc-3SCfxHdI/AAAAAAAAABw/klrLvSkLp-4/s1600-h/IMG_925e4f.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 320px; height: 214px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_MueYRaJPnRE/Sc-3SCfxHdI/AAAAAAAAABw/klrLvSkLp-4/s320/IMG_925e4f.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5318671205483486674" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;   Praça Pôr-do-Sol(Gustavo Langsh) 28/03/2009&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;___&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Antes de abordar os problemas específicos da natureza da&lt;br /&gt;arte cinematográfica, creio ser importante definir o meu modo&lt;br /&gt;de entender o &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_4"&gt;objetivo&lt;/span&gt; fundamental da arte como tal. Por&lt;br /&gt;que a arte existe? Quem precisa dela? Na verdade, alguém&lt;br /&gt;precisa dela? Estas são questões colocadas não só pelo poeta,&lt;br /&gt;mas também por qualquer pessoa que aprecie arte —&lt;br /&gt;ou, naquela expressão corrente, por demais sintomática da&lt;br /&gt;relação entre a arte e seu público do século XX — o "consumidor".&lt;br /&gt;Muitos fazem essa pergunta a si próprios, e qualquer pessoa&lt;br /&gt;ligada à arte costuma dar a sua resposta pessoal. &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_5"&gt;Alexander&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_6"&gt;Block&lt;/span&gt;9 disse que "do caos, o poeta cria harmonia".&lt;br /&gt;... &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_7"&gt;Puchkin&lt;/span&gt; acreditava que o poeta tem o dom da profecia.&lt;br /&gt;... Todo artista é regido por suas próprias leis, mas estas&lt;br /&gt;não são, em absoluto, obrigatórias para as demais pessoas.&lt;br /&gt;De qualquer modo, fica perfeitamente claro que o &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_8"&gt;objetivo&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;de toda arte — a menos, por certo, que ela seja dirigida&lt;br /&gt;ao "consumidor", como se fosse uma mercadoria — é explicar&lt;br /&gt;ao próprio artista, e aos que o cercam, para que vive&lt;br /&gt;o homem, e qual é o significado da sua existência. Explicar&lt;br /&gt;às pessoas a que se deve sua aparição neste planeta, ou, se&lt;br /&gt;não for possível explicar, ao menos propor a questão.&lt;br /&gt;Para partirmos da mais geral das considerações, é preciso&lt;br /&gt;dizer que o papel indiscutivelmente funcional da arte&lt;br /&gt;encontra-se na &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_9"&gt;idéia&lt;/span&gt; do conhecimento, onde o efeito é expressado&lt;br /&gt;como choque, como catarse."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_10"&gt;Tarkovsky&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;___&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A dualidade, apesar da afirmação estúpida que vou fazer, é uma faca de dois gumes.&lt;br /&gt;Uma mesma oração, alheia à &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_11"&gt;entonação&lt;/span&gt; e o contexto, ainda assim pode acabar insinuando coisas que acabam por ser percebidas somente no interior de que a ouve. E é aí que reside o problema. Antes, as palavras só confundiam quando se partia do próprio orador. Agora, meus ouvidos me traem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3424033135505399754-3206387036256408498?l=poesiaescritaemgasolina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poesiaescritaemgasolina.blogspot.com/feeds/3206387036256408498/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://poesiaescritaemgasolina.blogspot.com/2009/03/entao-me-diz-onde-quero-chegar-com.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3424033135505399754/posts/default/3206387036256408498'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3424033135505399754/posts/default/3206387036256408498'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poesiaescritaemgasolina.blogspot.com/2009/03/entao-me-diz-onde-quero-chegar-com.html' title='Então me diz, onde quero chegar com todas essas frases e acordes que não passam de maiores?'/><author><name>Chileno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02966781458294485252</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_MueYRaJPnRE/Sc3_D3hKMKI/AAAAAAAAAAM/TOmelzq-2lk/S220/Recreacion_artistica_hombre_Neandertal.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_MueYRaJPnRE/Sc-0XK6NXxI/AAAAAAAAABo/Km7xClxJj1I/s72-c/behindcamera.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3424033135505399754.post-8636846514556841195</id><published>2009-03-28T21:01:00.000-07:00</published><updated>2009-03-28T21:30:33.508-07:00</updated><title type='text'>Indivíduo A-personal.</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_MueYRaJPnRE/Sc74rrj7inI/AAAAAAAAABg/zKV6bdp2plQ/s1600-h/Jung.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 279px; height: 320px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_MueYRaJPnRE/Sc74rrj7inI/AAAAAAAAABg/zKV6bdp2plQ/s320/Jung.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5318461639282625138" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Carl Gustav Jung&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="text-decoration: underline;"&gt;"&lt;/span&gt;"Na manhã do dia 1º de abril de 1949 eu transcrevera uma inscrição referente a uma figura que era metade homem, metade peixe. Ao almoço houve peixe. Alguém nos lembrou o costume do "Peixe em Abril" (primeiro de abril). De tarde, uma antiga paciente minha, que eu já não via por vários meses, me mostrou algumas figuras impressionantes de peixe. De noite, alguém me mostrou uma peça de bordado, representando um monstro marinho. Na manhã seguinte, bem cedo, eu vi uma outra antiga paciente, que veio me visitar pela primeira vez depois de dez anos. Na noite anterior ela sonhara com um grande peixe. Alguns meses depois, ao empregar esta série em um trabalho maior, e tendo encerrado justamente a sua redação, eu me dirigi a um local à beira do lago, em frente à minha casa, onde já estivera diversas vezes, naquela mesma manhã. Desta vez encontrei um peixe morto, de mais ou menos um pé (30cm) de comprimento, sobre a amurada do lago. Como ninguém pôde estar lá, não tenho idéia de como o peixe foi parar ali."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Carl Gustav Jung (Sincronicidade)&lt;br /&gt;___&lt;br /&gt;&lt;span style="text-decoration: underline;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Ser humano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sábado de ócio não-criativo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O eixo da vida real cada vez mais deslocado.&lt;br /&gt;Vivendo em um mundo de mim mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me perco entre ego e personalidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cada vez mais A-personal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sincronicidade.&lt;br /&gt;Mecânica quântica para pós-adolescente em nível de principiante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eu que achei que um dia tudo ia se organizar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3424033135505399754-8636846514556841195?l=poesiaescritaemgasolina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poesiaescritaemgasolina.blogspot.com/feeds/8636846514556841195/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://poesiaescritaemgasolina.blogspot.com/2009/03/individuo-personal.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3424033135505399754/posts/default/8636846514556841195'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3424033135505399754/posts/default/8636846514556841195'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poesiaescritaemgasolina.blogspot.com/2009/03/individuo-personal.html' title='Indivíduo A-personal.'/><author><name>Chileno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02966781458294485252</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_MueYRaJPnRE/Sc3_D3hKMKI/AAAAAAAAAAM/TOmelzq-2lk/S220/Recreacion_artistica_hombre_Neandertal.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_MueYRaJPnRE/Sc74rrj7inI/AAAAAAAAABg/zKV6bdp2plQ/s72-c/Jung.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3424033135505399754.post-5060006772385277142</id><published>2009-03-28T03:39:00.000-07:00</published><updated>2009-03-28T03:40:06.436-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>07:39 AM&lt;br /&gt;Bom dia.&lt;br /&gt;Durma bem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3424033135505399754-5060006772385277142?l=poesiaescritaemgasolina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poesiaescritaemgasolina.blogspot.com/feeds/5060006772385277142/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://poesiaescritaemgasolina.blogspot.com/2009/03/0739-am-bom-dia.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3424033135505399754/posts/default/5060006772385277142'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3424033135505399754/posts/default/5060006772385277142'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poesiaescritaemgasolina.blogspot.com/2009/03/0739-am-bom-dia.html' title=''/><author><name>Chileno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02966781458294485252</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_MueYRaJPnRE/Sc3_D3hKMKI/AAAAAAAAAAM/TOmelzq-2lk/S220/Recreacion_artistica_hombre_Neandertal.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
